quarta-feira, 12 de junho de 2013

Copo de água



Nos últimos tempos as publicações aqui no blogue tornaram-se um pouco mais raras, não por falta de assunto interessante, mas porque o tempo parece sempre pouco e outras preocupações afastam-me daqui.

Hoje encontrei esta história algures na net. Muito simples, mas faz todo o sentido.

"Uma psicóloga andava em torno da sala enquanto dava uma aula de gestão de stress para a audiência. Quando levantou um copo com água, todos esperavam a pergunta do copo meio cheio ou meio vazio. Em vez disso, ela perguntou: "Quanto pesa este copo de água?" 


As respostas variaram entre 200 e 600 gramas.

Ela respondeu: "O peso absoluto não importa. Depende de quanto tempo vou segurá-lo. Se eu segurar o copo na mão por um minuto, não há um problema. Se o segurar durante uma hora, provavelmente vou ficar com dor no braço. Se o segurar durante um dia, vou sentir o meu braço entorpecido e paralisado. Em cada caso, o peso do copo não muda, mas quanto mais tempo o segurar, mais pesado ele se torna. "Ela continuou: "As tensões e preocupações da vida são como um copo de água. Pensar nelas  por um tempo e nada acontece. Pensar nelas um pouco mais e elas começam a doer. E se pensarmos nisso o dia todo, vamos-nos sentir sentir paralisados - incapazes de fazer qualquer coisa. "
 

É importante lembrarmo-nos de libertar as nossas tensões. No início da noite, logo que possível devemos pousar os nossos fardos. Não carregá-los durante a tarde e a noite. Lembrem-se de pousar o copo!"

sexta-feira, 3 de maio de 2013

post 2. interesses comuns


Do opposites attract?

Há a visão romântica de que os opostos se atraem. Eu não concordo. Até pode despertar alguma atenção, mas normalmente não é sustentável.

Os relacionamentos baseiam-se na procura de soluções para as nossas necessidades, muitas vezes de forma inconsciente. Ou seja, tentamos encontrar alguém que nos complementa, que nos ajude a aprender, a curar e a crescer.

Se há coisa que fortalece uma relação é a existência de interesses comuns. Até podemos achar a diferença interessante, mas no fundo o que nos faz aproximar é o entusiasmo que se partilha pelas mesmas coisas. Tendencialmente gostamos de pessoas com as quais nos identificamos ideologicamente, que têm ambições semelhantes, que gostam daquilo que nós gostamos. Não se trata de procurar alguém igual a nós, mas sim alguém que nos complementa. Alguma divergência também tem a sua piada, mas se for o oposto o mais provável é que se torne insuportável.

Numa relação é importante ter uma visão clara dos nossos interesses e dos interesses do outro. O que gostamos e não gostamos de fazer, o que ainda não se conhece mas se gostaria de experimentar. Interesses em comum podem gerar boas conversas, incentivos e momentos de convívio para o casal. Por outro lado é importante perceber que não é essencial que os dois gostem exactamente das mesmas coisas, é claro que há actividades que as mulheres apreciam, que os homens dispensam com prazer e alivio e vice-versa. Para isso existem os programas com os amigos/as ou a sós.

À medida que a relação se consolida as semelhanças tornam-se ainda mais importantes. Desde o tipo de alimentação, passatempos e estilo de vida até às ambições e planos futuros. Idealmente, há uma adaptação bilateral com vista à convergência, se houver posturas opostas em aspectos essenciais torna-se difícil avançar sem atropelar alguma das partes. Por outro lado, o respeito e tolerância pelas diferenças permite relativizar as divergências e dedicar-se ao essencial.

segunda-feira, 25 de março de 2013

HIV, batalhas ganhas e outras tantas por travar

A cura funcional de uma criança infectada pelo vírus HIV foi amplamente noticiada e marcou uma nova era na historia deste vírus. Estamos no bom caminho quanto ao desenvolvimento de terapias cada vez mais eficazes.

Com esta onda de optimismo surgem também noticias algo preocupantes de um continente onde a infecção por HIV é endémica em várias regiões e a taxa de infectados parece não querer baixar, sim, falo de África. Por detrás desta realidade está não só a dificuldade no acesso a conhecimento e tratamento adequado mas uma cultura de crenças e tradições que é difícil ultrapassar.

Para muitos africanos, dizer que a Sida é causada por um vírus que  é transmitido por contacto sexual não é explicação suficiente, havendo ainda lugar para a possibilidade de haver magia negra e maldições por detrás desta "estranha" doença. Ainda se acredita que ter sexo desprotegido com uma virgem pode curar as pessoas com Sida. É fácil perceber como esta forma de pensar, que faz parte de crenças fortemente enraizadas,  leva a um numero crescente de novos contágios, sem grande alternativa de protecção ou cura.

Segundo um artigo da CNN, em algumas partes do Sul de África, as viúvas devem ter relações sexuais desprotegidas de forma a livrar a si e a sua família de maldições. As pessoas têm medo e acreditam que esse é o caminho da purificação, ao mesmo tempo que se colocam em maior risco de ficarem infectadas com o vírus HIV. Esta tradição levou mesmo ao desenvolvimento de negócios, havendo "profissionais" que cobram preços elevados pelos seus serviços, havendo viúvas que estão dispostas a pagar a fim de evitar uma maldição sobre as suas famílias.

É um pouco estranho e difícil de compreender, mas faz parte da cultura e mesmo que os obstáculos a nivel científico estejam a ser ultrapassados, chegar até essas pessoas e protege-las/cura-las é outra batalha longe de ser vencida.


 


quarta-feira, 13 de março de 2013

post 1. comunicação nos relacionamentos

Red shell partners
 
Este será o primeiro post sobre a temática dos relacionamentos afectivos. Tal como já referi algures, escrevo pelo belo prazer de reflectir sobre os assuntos e não por achar que sei exactamente como as coisas funcionam, é apenas mais uma teoria.

Uma das coisa que eu considero mais importante numa relação é a boa comunicação entre as pessoas. Cada relacionamento resulta na combinação de duas personalidades com historias individuais que passam a escrever em conjunto uma nova história. A verdade é que os relacionamentos "começam" da forma mais inesperada e inevitavelmente cria-se uma espécie de contrato implícito na cabeça de cada um, assunções não verbais que delimitam os limites, as expectativas e os objectivos da relação. Normalíssimos e óbvios para quem os pensa, mas nem sempre os mesmo que se criam do outro lado.

Uma parte fundamental da boa comunicação num relacionamento consiste em tornar explícitos as assunções que mentalmente criámos. Expor e perceber o ponto de vista de cada um, embora compreender e respeitar não seja sinónimo de concordar, nem tem que ser.

Antes de sermos capazes de verbalizar aquilo que esperamos de uma relação é necessário fazermos uma análise profunda e sincera às nossas vontades,  perspectivas e planos para o futuro. Não adianta tentar idealizar ou fazer/dizer o politicamente correcto quando no fundo não é isso em que acreditamos. Afinal o que é que esperamos de nós e da outra pessoa no relacionamento, o que é que nos realiza e o que não suportaríamos. Quanto mais cedo estivermos conscientes das nossas perspectivas e limites e das só outro mais facilmente evitamos frustrações desnecessárias. Não se trata de impor regras ao outro, mas seria cobarde e injusto esperar um determinado comportamento quando nunca manifestámos essa intenção de forma clara.

O que muitas vezes acontece é que, para cada um, o relacionamento assume uma dimensão diferente e cada um espera coisas diferentes do outro e da relação em si sem que no entanto isso seja comunicado entre ambos. A primeira divergência vai dar origem a desilusão e alguma magoa, que se nem aí for devidamente comunicada dará inicio a um ciclo ao estilo bola de neve e uma coisa que inicialmente era quase insignificante vai adquirindo dimensões cada vez maiores e com potencial para fazer mais estragos.

Por outro lado também se pode seguir um caminho mais fácil e agradável ao ego e ao ouvido numa fase inicial, que consiste em fazer de conta que estamos numa relacionamento perfeito e somos pessoas perfeitas, e aí, com as expectativas nos píncaros vamos acumulando frustrações a cada choque com a realidade. Dará contudo muito mais trabalho manter a imagem de uma coisa que não somos, mostrar agrado por uma coisa de que não gostamos e esperar de alguém coisas que nem lhe passam pela cabeça.

Diz a sabedoria popular que as mulheres têm por habito esperar que os homens adivinhem o que lhes passa pela cabeça, enquanto os homens são mais práticos e simplesmente não gostam ou têm grande jeito para falar de sentimentos.

É claro que haverá pessoas com maior e menor capacidade para comunicar neste tipo de assuntos, um passo importante é perceber que uma comunicação eficaz pode evitar e resolver muitos mal entendidos. Vale a pena deixar de lado as ilusões e algum orgulho e fazer um esforço por verbalizar o que lhe vai na alma ao mesmo tempo que também se tenta compreender o que se passa do outro lado. Ter noção das nossas limitações e das do outro e explorar o melhor de cada um.

terça-feira, 5 de março de 2013

Como anda a saúde e a doença

Afinal quais são as principais causas de morte no mundo e como variam conforme o país?
 
O Instituto de Métrica e Avaliação de Saúde (Institute for Health Metrics and Evaluation) publicou um novo relatório do panorama de doença actual e no site é possível ver como os dados sobre saúde e mortalidade variam nos diferentes países, regiões, faixa etária e sexo. Vale a pena brincar um pouco com estas ferramentas e perceber como as causa de morte têm vindo a mudar e o que é que mais anos de vida nos tira.


http://ihmeuw.org/30
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Resolução de São Valentin

Hoje é o famoso dia de São Valentim. Não fosse um dia tão associado ao apelo consumista, tipo Natal mas em um pouco mais restrito, era pretexto bastante simpático para festejar o amor, os relacionamentos e todas essas coisas associadas.
Mesmo que não sejamos grandes adeptos de dias temáticos, é inevitável não pensar um pouco neles e ou fazer uma pequena análise da situação. No que diz respeito a amores, está na nossa natureza a procura de um semelhante com quem possamos partilhar vivências e com sorte uma boa parte da vida. Encontrar alguém que nos aceite e nos ame e se deixe amar. É um dos factores que contribui para a nossa felicidade/realização, mas também ansiedade e desilusão. Não há uma formula que se aplique a toda a gente ou que funcione sempre, mas há padrões de comportamento que por experiência própria e alheia sabemos se é ou não o bom caminho.

Há um ano atrás, precisamente neste dia, fiz um post semi lamechas sobre o assunto, onde expressei a minha admiração pelos que entendem e cultivam o amor. Um ano depois continuo a achar que é tarefa difícil e proponho-me a dar inicio a uma nova rotina neste blogue. A ideia é escrever uma vez por mês especificamente sobre a temática dos relacionamentos, não que eu seja especialista na matéria, mas porque, como qualquer pessoa, tenho as minha teorias sobre o assunto e talvez seja um desafio engraçado passa-las para a forma escrita e porque não partilha-las também aqui. É uma tarefa algo arriscada porque a nossa perspectiva sobre este assunto varia muito consoante a nossa posição e estado de alma, mas certamente vai ser bom observar a evolução da coisa. Por outro lado comprometo-me a escrever apenas sobre aquilo em que realmente acredito, embora tenha noção de que da teoria a pratica haja alguns desvios, inerentes ao facto de não nos conhecermos completamente nem termos capacidade de controlar tudo aquilo que sentimos ou fazemos.

Happy Saint Valentine's day!!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Colhe o dia

Hoje fica apenas um poema, porque ainda há muito para colher!

Colhe o Dia, porque És Ele  

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

Ricardo Reis, in "Odes"