terça-feira, 1 de maio de 2012

Pouco sentido


"What do you want a meaning for? Life is a desire, not a meaning."
Charlie Chaplin

Thailand Picture

Nunca achei muita piada às interpretações que se faziam dos poemas nas aulas de Português. A piada de ler bons textos ou ideias é que nunca chegamos a saber os reais sentimentos ou motivações por detrás da sua escrita. Podemos suspeitar ou andar la perto, mas a maioria das vezes a mensagem ganha uma nova vida e sentido nos meandros dos nossos neurónios. Não vale a pena forçar interpretações, cada pessoa encontrará a que lhe faz mais sentido.

domingo, 29 de abril de 2012

Poder da musica


Nos dias que correm arrisco-me a dizer que toda a gente tem algum contacto com algum tipo de musica. Não só musica comercial como a conhecemos, mas todo o tipo de cantorias características das várias culturas. Quem gosta de ouvir, certamente já se apercebeu daquilo que os cientistas têm vindo a dizer: a musica é capaz de proporcionar sentimentos de prazer, alegria, serenidade, melancolia ou excitamento, só para mencionar alguns. É uma forma de expressão e move multidões. Todos temos alguma ou algumas que gostamos em particular, que ouvimos para nos animar, para distrair, para pensar ou para ficar simplesmente a ouvir. Hoje em dia temos acesso facilitado á musica, desde as imortais às mais irritantes, a play list depende dos momentos, dos estados de espírito, da companhia.

Mazgani foi responsável pela banda sonora de alguns períodos da minha vida, esta é uma daquelas que não me canso de ouvir. 



quinta-feira, 26 de abril de 2012

25 de Abril

Dizem que as novas gerações já não fazem ideia do que foi viver em ditadura, que temos a liberdade tal como a conhecemos como adquirida e pouco valorizada, que não sabemos o que é lutar por uma causa. Eu acho que têm alguma razão. Mudam-se os tempos, vêm novas lutas e novas causas, ou talvez continuem a ser as mesmas, de um modo diferente.

Vale a pena conhecer melhor a nossa história e de que massa somos feitos.


"Na madrugada do dia 25 de Abril de 1974 Lisboa assistiu a um movimento militar inusual. Homens e veículos avançam, através da noite, pela capital do império e vão ocupando, sem resistência visível, vários alvos estratégicos, com o objectivo de derrubar o regime vigente.
Os militares golpistas, auto denominados Movimento das Forças Armadas – MFA – são comandados, secretamente, a partir do Quartel da Pontinha, em Lisboa, por Otelo Saraiva de Carvalho, um dos principais impulsionadores da acção.
A par das movimentações em Lisboa, também no Porto os militares tomam posições. São ocupados o Quartel-General da Região Militar do Porto, o Aeroporto de Pedras Rubras e as instalações da RTP na cidade invicta.
Aos homens da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, comandados por Salgueiro Maia, coube o papel mais importante: a ocupação do Terreiro do Paço e dos ministérios ali instalados. A coluna de blindados vindos da cidade ribatejana chega a Lisboa ainda o dia não tinha despontado, ocupa posições frente ao Tejo e controla, sem problemas aquela importante zona da capital.

Mais tarde Salgueiro Maia desloca parte das suas tropas para o Quartel do Carmo onde está o chefe do governo, Marcelo Caetano, que acaba por se render no final do dia com apenas uma exigência: entregar as responsabilidades de governação ao General António Spínola, oficial que não pertencia ao MFA, para que “o poder não caía nas ruas”. O Presidente do Conselho, que anos antes tinha sucedido a Salazar no poder, é transportado para a Madeira e daí enviado para o exílio no Brasil.
Ao longo do dia os revoltosos foram tomando outros objectivos militares e civis e, pese embora tenham existido algumas situações tensas entre as forças fiéis ao regime e as tropas que desencadearam o golpe, a verdade é que não houve notícia de qualquer confronto armado nas ruas de Lisboa.
O único derramamento de sangue teve lugar à porta das instalações da PIDE (Polícia de Investigação e Defesa do Estado) onde um grupo de cidadãos se manifestava contra os abusos daquela organização e alguns dos agentes que se encontravam no interior abriram fogo, atingindo mortalmente 4 populares.
Por detrás dos acontecimentos daquele dia 25 de Abril estão mais de 40 anos de um regime autoritário, que governava em ditadura e fazia uso de todos os meios ao seu alcance para reprimir as tentativas de transição para um estado de direito democrático.

A censura, a PIDE e a Legião e a Mocidade Portuguesas são alguns exemplos do que os cidadãos tinham de enfrentar no seu dia-a-dia. Por outro lado, a pobreza, a fome e a falta de oportunidades para um futuro melhor, frutos do isolamento a que o país estava votado há décadas, provocaram um fluxo de emigração que agravava, cada vez mais, as fracas condições da economia nacional.
Mas a gota de água que terá despoletado a acção revolucionária dos militares que, durante tantos anos tinham apoiado e ajudado a manter o regime, foi a guerra colonial em África. Com 3 frentes abertas em outros tantos países, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, os militares portugueses, passada mais de uma década, começavam a olhar para o conflito como uma causa perdida.
Internacionalmente o país era pressionado para acabar com a guerra e permitir a auto-determinação das populações das colónias. A falta de armas nas forças portuguesas era proporcional ao aumento de meios dos movimentos independentistas. Os soldados portugueses morriam às centenas a milhares de quilómetros de casa.
Todos estes factores contribuíram para um descontentamento crescente entre as forças armadas, sobretudo entre os oficiais de patentes inferiores, o que levou à organização e concretização de um golpe militar contra o regime do Estado Novo.
25 de Abril de 1974 ficará, para sempre, na história como o dia em que Portugal deu os seus primeiros passos em direcção à democracia."

Um estranho animal

Tenho uma nova colega de casa, dorme durante o dia e não pára durante toda a noite, não gosta da minha música e ainda não consegui perceber se gosta de mim, se tem apenas curiosidade ou medo. Chama-se Xana, é uma bolinha de pêlo castanho claro e cabe na palma da mão (embora não consiga parar lá muito tempo), também identificada como hamster. Alguém achou que eu me iria dar bem este estranho animal de hábitos estranhos e pronto, ali anda ela atarefada a roer tudo o que lhe aparece à frente.

Tenho que admitir que o meu conhecimento sobre esta espécie de animais é algo reduzido, por isso para já limito-me a observar e tentar perceber a sua rotina e se é possível interagir de forma segura e pacifica. Para além do ciclo circadiano funcionar ao contrário do meu (o que eu suspeito ser a causa do seu mau humor durante o dia), parece que gosta de trepar as grades da caixa, esconder a sua comida e aposto que se sente completamente invisível e protegida quando entra na casinha transparente e se esconde no meio do algodão. Já pensei que ela se pudesse sentir sozinha e gostasse de ter uma amiga, mas ao que parece são animais solitários e territoriais. Farta-se de arrumar e reorganizar a mobília e parece ainda não estar satisfeita. Tolera bem as minhas investidas, mas sempre muito desconfiada e cautelosa.

Faz-me alguma confusão ter um animal de estimação sem um propósito ou uma ligação especifica, faz companhia ou distrai, mas não dá para levar a passear, não se alegra quando eu chego, muito menos ronrona com as festinhas, mas gosto dela e havemos de nos habituar aos hábitos trocados.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Novo paradigma do turismo sexual

Discovery news


Em 2050, Bairro da luz vermelha, sexo com prostitutas andróides livres de doenças sexualmente transmissíveis. Fim do tráfico e exploração sexual imposta a mulheres/crianças trazidas da Europa Oriental e total controlo governamental dos preços, horas de trabalho e serviços sexuais é a visão futurista de dois investigadores da Nova Zelândia publicada no artigo "Robots, men and sex tourism". Ao que parece estas novas máquinas sexuais já estão a ser conceptualizadas e daqui a uns anos estarão a revolucionar o sector do turismo sexual. Haverá igualmente diversidade de etnias, de corpos, idades, língua e habilidades sexuais, tudo pensado ao pormenor para máxima satisfação dos clientes.


Para muitos, sexo é considerado uma necessidade básica e se há pessoas que satisfazem essa necessidade de forma socialmente aceite, há quem procure e esteja disposto a pagar por mais. Eu tenho alguma dificuldade em compreender (e aceitar) algumas das práticas em que assenta o turismo sexual, nada contra quem cobra por um serviço que escolheu prestar, mas a partir do momento em que não é um voluntário, mas imposto por organizações dedicadas ao efeito ou motivado pela pobreza e desespero extremo, há um desrespeito pela dignidade humana.

Há várias razoes que movem o turismo sexual e levam as pessoas (maioritariamente homens) a viajar e pagar por sexo em países estrangeiros, entre as quais a busca de aventura acompanhada de algum sentimento de culpa e vergonha. Daí a necessidade de procurar sítios fora da própria comunidade, onde o anonimato é assegurado. Eventualmente será também mais barato e fácil de alguém disposto a cumprir os seu desejos. Com os robôs há a desculpabilização do acto, a "traição" é com uma maquina e não com uma pessoa e para alem disso foram especialmente desenvolvidas para o efeito não havendo aproveitamento de condições desfavoráveis. Por outro lado tenho algumas duvidas que um robô seja capaz de estar à altura do desempenho de uma pessoa, já para não falar que impossibilidade de cumprir um dos aspectos básicos de um acto sexual entre dois seres, sentir e proporcionar prazer. Não tenho as hormonas, nem o perfil do publico alvo a quem se dirige esta tecnologia, neste momento não me vou arriscar a fazer previsões, vou apenas esperar para ver.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Longevidade

Rita Levi Montalcini, fonte
Chama-se Rita Levi Montalcini, Nobel da medicina em 1986 (descoberta dos factores de crescimento) e fez ontem 103 anos. Melhor do que isso só o facto de continuar activa na ciência, na politica e na vontade de fazer a diferença. Não sei se realmente descobriu o segredo da longevidade, mas sem duvida tem uma historia admirável.



“If I die tomorrow or in a year, it is the same — it is the message you leave behind you that counts.”
Rita Levi Montalcini

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Amor em perspectiva

A beleza das emoções e dos sentimentos reside no seu carácter primitivo e alguma resistência à racionalização completa. O amor não é excepção, e se a maioria das vezes pensar demasiado nas coisas tira-lhe o encanto, perceber a razão de alguns dos "sintomas" ajuda a que não nos sintamos tão extra terrestres.

Nestes assuntos, penso que ninguém melhor do que a antropologista Helen Fisher para nos falar de amor de  forma directa e prática (mais uma Ted talk), afinal "ele" existe por alguma razão e a nossa maquinaria encarrega-se de fazer cumprir os desígnios da natureza. (ok, também fala um pouco sobre o papel das mulheres na sociedade, efeito colateral..)