quarta-feira, 13 de março de 2013

post 1. comunicação nos relacionamentos

Red shell partners
 
Este será o primeiro post sobre a temática dos relacionamentos afectivos. Tal como já referi algures, escrevo pelo belo prazer de reflectir sobre os assuntos e não por achar que sei exactamente como as coisas funcionam, é apenas mais uma teoria.

Uma das coisa que eu considero mais importante numa relação é a boa comunicação entre as pessoas. Cada relacionamento resulta na combinação de duas personalidades com historias individuais que passam a escrever em conjunto uma nova história. A verdade é que os relacionamentos "começam" da forma mais inesperada e inevitavelmente cria-se uma espécie de contrato implícito na cabeça de cada um, assunções não verbais que delimitam os limites, as expectativas e os objectivos da relação. Normalíssimos e óbvios para quem os pensa, mas nem sempre os mesmo que se criam do outro lado.

Uma parte fundamental da boa comunicação num relacionamento consiste em tornar explícitos as assunções que mentalmente criámos. Expor e perceber o ponto de vista de cada um, embora compreender e respeitar não seja sinónimo de concordar, nem tem que ser.

Antes de sermos capazes de verbalizar aquilo que esperamos de uma relação é necessário fazermos uma análise profunda e sincera às nossas vontades,  perspectivas e planos para o futuro. Não adianta tentar idealizar ou fazer/dizer o politicamente correcto quando no fundo não é isso em que acreditamos. Afinal o que é que esperamos de nós e da outra pessoa no relacionamento, o que é que nos realiza e o que não suportaríamos. Quanto mais cedo estivermos conscientes das nossas perspectivas e limites e das só outro mais facilmente evitamos frustrações desnecessárias. Não se trata de impor regras ao outro, mas seria cobarde e injusto esperar um determinado comportamento quando nunca manifestámos essa intenção de forma clara.

O que muitas vezes acontece é que, para cada um, o relacionamento assume uma dimensão diferente e cada um espera coisas diferentes do outro e da relação em si sem que no entanto isso seja comunicado entre ambos. A primeira divergência vai dar origem a desilusão e alguma magoa, que se nem aí for devidamente comunicada dará inicio a um ciclo ao estilo bola de neve e uma coisa que inicialmente era quase insignificante vai adquirindo dimensões cada vez maiores e com potencial para fazer mais estragos.

Por outro lado também se pode seguir um caminho mais fácil e agradável ao ego e ao ouvido numa fase inicial, que consiste em fazer de conta que estamos numa relacionamento perfeito e somos pessoas perfeitas, e aí, com as expectativas nos píncaros vamos acumulando frustrações a cada choque com a realidade. Dará contudo muito mais trabalho manter a imagem de uma coisa que não somos, mostrar agrado por uma coisa de que não gostamos e esperar de alguém coisas que nem lhe passam pela cabeça.

Diz a sabedoria popular que as mulheres têm por habito esperar que os homens adivinhem o que lhes passa pela cabeça, enquanto os homens são mais práticos e simplesmente não gostam ou têm grande jeito para falar de sentimentos.

É claro que haverá pessoas com maior e menor capacidade para comunicar neste tipo de assuntos, um passo importante é perceber que uma comunicação eficaz pode evitar e resolver muitos mal entendidos. Vale a pena deixar de lado as ilusões e algum orgulho e fazer um esforço por verbalizar o que lhe vai na alma ao mesmo tempo que também se tenta compreender o que se passa do outro lado. Ter noção das nossas limitações e das do outro e explorar o melhor de cada um.

terça-feira, 5 de março de 2013

Como anda a saúde e a doença

Afinal quais são as principais causas de morte no mundo e como variam conforme o país?
 
O Instituto de Métrica e Avaliação de Saúde (Institute for Health Metrics and Evaluation) publicou um novo relatório do panorama de doença actual e no site é possível ver como os dados sobre saúde e mortalidade variam nos diferentes países, regiões, faixa etária e sexo. Vale a pena brincar um pouco com estas ferramentas e perceber como as causa de morte têm vindo a mudar e o que é que mais anos de vida nos tira.


http://ihmeuw.org/30
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Resolução de São Valentin

Hoje é o famoso dia de São Valentim. Não fosse um dia tão associado ao apelo consumista, tipo Natal mas em um pouco mais restrito, era pretexto bastante simpático para festejar o amor, os relacionamentos e todas essas coisas associadas.
Mesmo que não sejamos grandes adeptos de dias temáticos, é inevitável não pensar um pouco neles e ou fazer uma pequena análise da situação. No que diz respeito a amores, está na nossa natureza a procura de um semelhante com quem possamos partilhar vivências e com sorte uma boa parte da vida. Encontrar alguém que nos aceite e nos ame e se deixe amar. É um dos factores que contribui para a nossa felicidade/realização, mas também ansiedade e desilusão. Não há uma formula que se aplique a toda a gente ou que funcione sempre, mas há padrões de comportamento que por experiência própria e alheia sabemos se é ou não o bom caminho.

Há um ano atrás, precisamente neste dia, fiz um post semi lamechas sobre o assunto, onde expressei a minha admiração pelos que entendem e cultivam o amor. Um ano depois continuo a achar que é tarefa difícil e proponho-me a dar inicio a uma nova rotina neste blogue. A ideia é escrever uma vez por mês especificamente sobre a temática dos relacionamentos, não que eu seja especialista na matéria, mas porque, como qualquer pessoa, tenho as minha teorias sobre o assunto e talvez seja um desafio engraçado passa-las para a forma escrita e porque não partilha-las também aqui. É uma tarefa algo arriscada porque a nossa perspectiva sobre este assunto varia muito consoante a nossa posição e estado de alma, mas certamente vai ser bom observar a evolução da coisa. Por outro lado comprometo-me a escrever apenas sobre aquilo em que realmente acredito, embora tenha noção de que da teoria a pratica haja alguns desvios, inerentes ao facto de não nos conhecermos completamente nem termos capacidade de controlar tudo aquilo que sentimos ou fazemos.

Happy Saint Valentine's day!!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Colhe o dia

Hoje fica apenas um poema, porque ainda há muito para colher!

Colhe o Dia, porque És Ele  

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

Ricardo Reis, in "Odes"

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Para bem da economia


Se por um lado há séculos que se cobiça o elixir da vida eterna, por outro há quem defenda que se devia deixar morrer os velhos para beneficio da economia, como disse o ministro japonês Taro Aso. Se há quem invista dinheiro, tempo e trabalho árduo na procura de tratamentos para as doenças que inevitavelmente vão afectar uma parte da população, há quem pense que não vale a pena reunir esforços para tratar as pessoas a partir de um certo momento, pois isso representa elevados custos com zero benefícios para a economia.
É estranho e perigoso pensar assim, digo eu.

O Japão é um dos países em que a esperança média de vida é mais elevada, cerca de 87 anos no caso das mulheres e 80 anos para os homens. Embora o envelhecimento seja inevitável, para Taro Aso, é um problema e deve ser resolvido. Talvez devesse haver um limite para se receber cuidados de saúde, uma validade, como se até determinado ponto se devesse tratar e a partir daí se devesse deixar morrer. Certamente que este senhor nunca passou muito tempo num hospital ou unidade de cuidados continuados. É claro que deve haver limites, não é razoável prolongar artificialmente a vida humana a qualquer custo, mas decidam de uma vez se querem viver mais ou ser deixados morrer em casos mais complexos.

Quando nós consideramos o envelhecimento não um problema a ser resolvido mas uma alteração inevitável com a qual temos que conviver pode-se começar a pensar em formas de maximizar os benefícios públicos e privados do envelhecimento enquanto se minimiza os efeitos das doenças associadas. É possível associar longevidade e qualidade de vida a oportunidades de negócio, a responsabilidade social, a melhor educação. Enquanto houver doenças que possam ser evitadas através da alteração dos hábitos de vida, há margem para reduzir os custos de saúde ou pelo menos responsabilizar de alguma forma os candidatos a essas doenças e aos cuidados de saúde que poderiam ser evitados.

Eu, que não sou da área da economia, acho abusivo defender uma morte mais célere para os enfermos com simples intuito de beneficiar a economia. Daqui a pouco vão chegar à conclusão que os presos, os portadores de deficiência profunda e porque não os desempregados (entres outros grupos pouco produtivos) não trazem beneficio para a economia, o que se vai fazer com eles?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Mente dispersa

A mente humana tem uma  capacidade ilimitada o que faz com que disperse facilmente quando não tem uma carga de ocupação suficiente ou quando estamos a tentar focar em algo, mas preocupados com outra coisa.
Ontem estava no metro e reparei precisamente nisso. É comum encontrar pessoas com o olhar no vazio e o pensamento distante. É uma reacção semi automática, num momento estamos a ler ou a observar a paisagem e vamos sendo invadidos por pensamentos sobre coisas que não têm muito a ver e aí a mente vagueia, quase como quando sonhamos, nem sempre tem sentido, nem sempre tem elo de ligação, ás vezes nem nos damos conta que aconteceu. Os olhos continuam a ler ou a registar imagens, mas no final não nos lembramos de nada do que lemos ou vimos. Pequenas coisas fazem-nos regressar "à terra". Têm piada porque nem sempre são pensamentos racionais, é como se o nosso cérebro estivesse a tentar encontrar explicações ou a testar hipóteses para acontecimentos reais ou hipotéticos, sem grandes filtros ou censuras. Volta e meia acontece-me e fico espantada com a criatividade e de uma mente dispersa.




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Magia do fim de ano

Às vezes a época da passagem de ano não parece ter nada de especial para alem de ser o final de Dezembro e inicio de Janeiro, contudo nem sempre é sentida assim assim, ou pelo não para toda a gente. Para além de ser o fim de um mês e inicio de outro é também o fim de um ano e inicio de outro, o que torna esta época mais propicia a balanços e resoluções para o futuro. Há varias ocasiões propicias a tais reflexões, mas esta parece ser das mais generalizadas.

À medida que nos distanciamos no tempo dos acontecimentos começamos a explorar outras perspectivas, fazemos re-avaliações e novas interpretações. O fim do ano pode ser pensado como o fim de mais uma etapa. É uma boa altura para pensar no que se tem feito e ver se está de acordo com planos/expectativas iniciais. Há o risco de se tornar nostálgico mas também podemos ter surpresas principalmente se for uma reflexão realista. É inevitável que uma boa parte das expectativas tenham saído furadas, que se fique desiludido com outras pessoas ou com nós mesmos em determinados acontecimentos, mas provavelmente também houve imprevistos e desenrolares que não estavam nos planos e se revelaram melhores do que se esperava. A par desta reflexão vem a nossa vontade de mudar tudo o que nos parece errado ou incompleto, fazemos novos planos e tomamos decisões para o novo ano. Sem saber muito bem porque, esta é também uma época em que gozamos de algum optimismo e esperança, daí que se estabeleçam objectivos que nunca passarão de desejos, mas que nos fazem acreditar que é possível e a querer correr mais riscos para lá chegar. Este é um estado que dura alguns dias ou até semanas, mas que se pode dissipar com o tempo se a vontade não for realmente forte. Há um aumento nas inscrições e idas ao ginásio ou corridas, por alguns dias come-se mais saudável, somos mais organizados e assertivos, somos mais confiantes, arriscamos mais e amamos mais. Depois vamos lentamente entrando novamente na rotina, as novas resoluções começam a ficar menos presentes e volta tudo ao normal, salvo algumas excepções.

É um ciclo que se repete todos os anos ou a cada vez que alguém decide fazer um balanço e repensar objectivos.