"Os conselhos são a teoria da vida – e a prática, em geral, é muito diferente." Paulo Coelho
Há uma característica mais ou menos universal nas pessoas que consiste em dar conselhos sempre que nos parecer que sabemos exactamente como a outra pessoa deverá agir perante um problema, real ou imaginário. A intenção é boa e normalmente baseiam-se em normas morais, naquilo que seria de esperar num mundo moralmente equilibrado em que temos total/algum controlo sobre os reacções/acontecimentos.
O que é um pouco irritante é que a maioria das vezes embora o conselho pareça realmente fazer sentido é um pouco vão. Estamos fartos de dar e ouvir conselhos e na maioria das vezes não aplicamos na nossa vida aquilo que aconselhamos aos outros. E porque não, já que defendemos tantos essas ideias porque não as pomos em pratica? Acredito que às vezes seja por não ter essa noção. É muito mais fácil analisar os problemas dos outros, encontrar as falhas e as soluções do que ver os nossos próprios problemas, primeiro porque só sabemos uma parte da historia, a mais conveniente, logo é menos informação a analisar e a ter em conta, depois porque não temos o mesmo envolvimento emocional que teríamos se o problema fosse nosso e por ultimo porque as conclusões ou medidas a tomar cabem a outra pessoa, não ponderamos da mesma forma o esforço e resultado que daí advém.
Isto tudo para dizer o que? Não acho mal dar conselhos, podem mesmo ser uma boa ajuda, quando realmente se sabe do que se está a falar e a outra pessoa está na disposição de os ouvir, contudo é necessário ter em conta a legitimidade que nós temos para os dar. Não adianta recomendar as regras se a nossa história diz que não fomos capazes de as seguir, a melhor forma de aconselhar/inspirar continua a ser o exemplo e não a teoria.
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