Volta e meia surgem novas noticias ou pontos de situação relativos à violência doméstica. Esta era a noticia de hoje do semanário Sol. Aparentemente o número de casos de violência doméstica aumenta no Verão devido a maior convivência entre casais, entretanto o cenário de crise também poderá inflamar as discussões. Contudo, para mim, é evidente que algo de grave se passa por detrás de cada caso, mas não há justificação possível.
Há estudos que apontam uma vantagem evolutiva aos actos de violência doméstica, que supostamente aumentaria a probabilidade da mulher ter filhos seus e não de outro homem, embora perceba o raciocínio acho a teoria desadequada aos dias de hoje. É um problema comum a todas as culturas embora possa apresentar contornos distintos. É necessário ter ainda em conta que embora a maioria das vitimas sejam mulheres, também há casos de violência contra homens.
Nos dias que correm o papel da mulher já não é apenas cuidar da casa e dos filhos, cada vez mais estas tarefas são feitas a dois e a mulher também investe na sua própria carreira profissional. Deixou de haver uma única fonte de rendimento, deixou de haver uma dependência directa do outro. O casal é visto como dois indivíduos que partilham parte da sua vida e têm projectos em comum, mas também têm condições para a qualquer momento voltar a viver sozinhos. Os filhos poderão ser um boa razão para tentar manter um casal coeso, mas também não é obrigatório.
Eu acredito que o problema reside na meneia de pensar das pessoas. Uma relação não pode ser vista como um fim em si, mas antes como um processo. Antes de saber viver com outra pessoa é necessário aprender a estar sozinho, conhecer-se, respeitar-se e dar-se ao respeito. Nem sempre acontece, nem sempre as pessoas são educadas nesse sentido. Um acto de violência contra outra pessoa demonstra insegurança, dependência e falta de controlo de quem assim age. Não é uma questão de tempo, de dinheiro ou de poder, são razões bem mais primitivas.
Nos casos da violência doméstica não é só quem é agredido que precisa de ajuda, um precisa de perceber porque reage assim e entender os efeitos nefastos das suas atitudes o outro precisa de aprender que não há razões que justifiquem aceitar este tipo de atitudes e que é possivel viver de outra forma. Falhou muita coisa para se chegar à violência, a meu ver falham dois na construção de uma relação sustentável.
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