Há uns anos atrás por esta altura estava eu a mudar de ares e embora a ideia de ir para uma cidade desconhecida onde não conhecia ninguém possa parecer um pouco assustador, soube muito bem. Sabe a liberdade, é a oportunidade de fazer o que quer que seja sem o peso das opiniões ou ideias pré-definidas que as pessoas que nos conhecem têm de nós.
Somos seres sociáveis e como tal aprendemos a viver em sociedade desde muito cedo, apreciamos e buscamos a aprovação e reconhecimento pelos outros e embora isso nos dê conforto também nos limita a liberdade. À medida que nos vão conhecendo ou que conhecemos alguém vão-se ganhando rótulos, habituamos-nos a determinados comportamentos e desempenhos e sentimos a pressão de manter as expectativas e registos que os outros têm de nós. Mas porque raio damos tanta importância à opinião/expectativas das outras pessoas?
Chega a ser um pouco irritante, é tudo uma questão de tendências, os pensamentos reflectem o que outros pensam, os gostos seguem a tendência e a maneira de estar é mímica do que se vê à volta. A vontade de aceitação é tal que não há espaço para o original, o diferente é olhado de lado, pelo menos até se tornar tendência.
Admiro as pessoas que conseguem ser disparatadas sem, genuinamente, se preocuparem com a opinião dos que os vêm. Se a vida é nossa porque é que nos temos que reger pela visão que outros possam ter de nós. Foi por isso que soube bem chegar a um sitio novo com pessoas novas, ter uma nova oportunidade de ser de formas diferentes sem chocar com ideias pré-definidas, ou então o facto de ainda não as conhecer faz com que a sua opinião não tenha tanta importância. A ideia não é estar constantemente a romper com lugares e pessoas conhecidas, também é bom estar com quem nos conhece.Como não podemos andar eternamente a mudar de cidade e de pessoas resta-nos aprender a valorizar menos a opinião alheia e a não ter receio do diferente, do disparate ou do que quer que seja que nos apeteça ser.
Sem comentários:
Enviar um comentário