Tenho a impressão de que os miúdos hoje em dia começam tudo mais cedo. As preocupações com a imagem, a mania de que já se é grande para fazer o que se quer e sair à noite, a maquilhagem, o álcool, o tabaco, os namoros, enfim, parece que saem mais cedo da casca. Ainda me faz confusão ver miúdos com 13/14 anos com pinta de quem já tem quase 18, não é só uma questão de imagem, mas de comportamento e mentalidade.
Esta semana saíram várias noticias que confirmam isso mesmo, os rapazes e as raparigas estão a entrar na puberdade cada vez mais cedo.
Segundo uma noticia da NBC, estudos revelaram que os rapazes americanos começam a apresentar sinais de puberdade cerca de 2 anos mais cedo do que o previamente descrito, por volta dos 9 anos para os negros e dos 10 nos brancos e hispânicos.
Nas raparigas também foi descrito algo semelhante, a percentagem de meninas com inicio do desenvolvimento mamário aos 7 anos tem vindo a aumentar, tal como foi descrito aqui e aqui.
Embora ainda não haja certezas quanto às causas e possíveis consequências destas mudanças, suspeita-se de factores ambientais (alterações genéticas demoraria centenas de anos a fazer-se notar) tais como aumento da obesidade e falta de actividade física, presença de químicos na comida e na agua. Estes factores podem interferir com a produção normal de hormonas, acelerando o processo.
Uma questão igualmente preocupante nesta tendência é pensar na maturidade e capacidade que as crianças têm para lidar com as alterações que vêm ocorrer no seu corpo quando ainda são tão novos. É a idade de começar a ter alguma independência, de deixar de ter medo de dormir sozinho, de começar a ter noção da existência de outras pessoas, com outras preocupações que não as suas. Na maioria dos casos ainda desconhecem a relação entre acção e consequência, ainda não pensam a longo prazo, ainda não se sentem responsáveis por si mesmos. Claro que a maturidade de cada um depende da sua história de vida, mas no geral continua a ser demasiado cedo para as mudanças que a puberdade acarreta. A própria maneira como os adultos interagem com as crianças tem que mudar e adaptar-se ao novo andamento. É necessário que as crianças/adolescente aprendam a gerir a descoberta da sexualidade numa fase em que quase não sabem tomar conta de si próprios, quando ninguém lhes fala disso porque acha que ainda é muito cedo e quando tudo parece fácil, acessível e natural como na televisão e na Internet.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Beautiful mind
Dia 10 de Outubro é assinalado como dia das doenças mentais. Este ano foi dedicado à depressão global (Depression: A Global Public Health Concern), acredita-se que afecta uma em cada vinte pessoas, os contornos nem sempre são claros e há uma boa parte que não é diagnosticada nem clinicamente tratada. Não admira que se fale tanto em depressão numa altura em que a "crise" parece ser sempre a palavra do dia.
O lado bom destes dias é que também alertam para visões diferentes das coisas, neste caso das doenças mentais. Alguns génios, nas mais diversas áreas, são vistos como seres particularmente criativos e ao que parece, a muitos deles são atribuídas a mais variadas doenças mentais, desde depressão, bipolaridade, esquizofrenia ou obsessão. Às vezes aquilo que lhes tira a capacidade de terem uma vida dita normal permite-lhes explorar campos não acessíveis aos comuns, ditos normais. Estes padrões são vistos em escritores, músicos, pintores, cientistas, entre outros. Aquilo que pode parecer loucura à vista desarmada pode ser apenas a sua zona de conforto e o caminho para algo inédito.
A beautiful mind e Creativity 'closely entwined with mental illness' são dois artigos que apresentam visões interessantes sobre doenças mentais.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
People are Awesome
Numa altura em que já não se pode ligar a televisão ou sair à rua sem ouvir falar de crise e tudo aquilo que veio com ela é necessário ir relembrando que nem tudo à nossa volta se pode resumir ou se deve subjugar a isso. Sonhar continua a ser de graça e sim, vivemos num planeta fantástico, onde existem pessoas capazes de coisas fantásticas.
People are Awesome
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Siria
Esta semana a organização Save the children publicou testemunhos de crianças que sentiram na pele as atrocidades impostas pela guerra civil na Syria que já dura há mais de 18 meses. Se é perturbador e revoltante para adultos, não consigo imaginar como ficam as crianças que sem saber/perceber porquê ficam diariamente expostos e sujeitos ao lado mais desumano da humanidade.
Untold Atrocities, the stories of syria’s children. Vale a pena ver aqui.
Untold Atrocities, the stories of syria’s children. Vale a pena ver aqui.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
A invenção de Deus
Será que houve um Deus que inventou a humanidade? ou terão sido os humanos a
inventar Deus?
O cérebro humano está programado para ver padrões ou acaso. Há uma necessidade de justificar acontecimentos e acreditar que há uma razão ou plano por detrás disso tudo. É o cérebro que decide se acreditamos ou não em Deus e na sua influencia em pequenas coisas do dia-a-dia. É também no cérebro que tomamos consciência da realidade, será que imaginar Deus o torna real?
Este vídeo aborda estas e outras questões, cuja resposta tem sido procurada através da ciência. Algumas experiencias mostram como o comportamento das crianças é afectado pela ideia de haver uma pessoa invisível que os observa_O efeito da Princessa Alice. É interessante conhecer algumas das subtilezas do cérebro humano.
O cérebro humano está programado para ver padrões ou acaso. Há uma necessidade de justificar acontecimentos e acreditar que há uma razão ou plano por detrás disso tudo. É o cérebro que decide se acreditamos ou não em Deus e na sua influencia em pequenas coisas do dia-a-dia. É também no cérebro que tomamos consciência da realidade, será que imaginar Deus o torna real?
Este vídeo aborda estas e outras questões, cuja resposta tem sido procurada através da ciência. Algumas experiencias mostram como o comportamento das crianças é afectado pela ideia de haver uma pessoa invisível que os observa_O efeito da Princessa Alice. É interessante conhecer algumas das subtilezas do cérebro humano.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Mudar de ares
Há uns anos atrás por esta altura estava eu a mudar de ares e embora a ideia de ir para uma cidade desconhecida onde não conhecia ninguém possa parecer um pouco assustador, soube muito bem. Sabe a liberdade, é a oportunidade de fazer o que quer que seja sem o peso das opiniões ou ideias pré-definidas que as pessoas que nos conhecem têm de nós.
Somos seres sociáveis e como tal aprendemos a viver em sociedade desde muito cedo, apreciamos e buscamos a aprovação e reconhecimento pelos outros e embora isso nos dê conforto também nos limita a liberdade. À medida que nos vão conhecendo ou que conhecemos alguém vão-se ganhando rótulos, habituamos-nos a determinados comportamentos e desempenhos e sentimos a pressão de manter as expectativas e registos que os outros têm de nós. Mas porque raio damos tanta importância à opinião/expectativas das outras pessoas?
Chega a ser um pouco irritante, é tudo uma questão de tendências, os pensamentos reflectem o que outros pensam, os gostos seguem a tendência e a maneira de estar é mímica do que se vê à volta. A vontade de aceitação é tal que não há espaço para o original, o diferente é olhado de lado, pelo menos até se tornar tendência.
Admiro as pessoas que conseguem ser disparatadas sem, genuinamente, se preocuparem com a opinião dos que os vêm. Se a vida é nossa porque é que nos temos que reger pela visão que outros possam ter de nós. Foi por isso que soube bem chegar a um sitio novo com pessoas novas, ter uma nova oportunidade de ser de formas diferentes sem chocar com ideias pré-definidas, ou então o facto de ainda não as conhecer faz com que a sua opinião não tenha tanta importância. A ideia não é estar constantemente a romper com lugares e pessoas conhecidas, também é bom estar com quem nos conhece.Como não podemos andar eternamente a mudar de cidade e de pessoas resta-nos aprender a valorizar menos a opinião alheia e a não ter receio do diferente, do disparate ou do que quer que seja que nos apeteça ser.
Somos seres sociáveis e como tal aprendemos a viver em sociedade desde muito cedo, apreciamos e buscamos a aprovação e reconhecimento pelos outros e embora isso nos dê conforto também nos limita a liberdade. À medida que nos vão conhecendo ou que conhecemos alguém vão-se ganhando rótulos, habituamos-nos a determinados comportamentos e desempenhos e sentimos a pressão de manter as expectativas e registos que os outros têm de nós. Mas porque raio damos tanta importância à opinião/expectativas das outras pessoas?
Chega a ser um pouco irritante, é tudo uma questão de tendências, os pensamentos reflectem o que outros pensam, os gostos seguem a tendência e a maneira de estar é mímica do que se vê à volta. A vontade de aceitação é tal que não há espaço para o original, o diferente é olhado de lado, pelo menos até se tornar tendência.
Admiro as pessoas que conseguem ser disparatadas sem, genuinamente, se preocuparem com a opinião dos que os vêm. Se a vida é nossa porque é que nos temos que reger pela visão que outros possam ter de nós. Foi por isso que soube bem chegar a um sitio novo com pessoas novas, ter uma nova oportunidade de ser de formas diferentes sem chocar com ideias pré-definidas, ou então o facto de ainda não as conhecer faz com que a sua opinião não tenha tanta importância. A ideia não é estar constantemente a romper com lugares e pessoas conhecidas, também é bom estar com quem nos conhece.Como não podemos andar eternamente a mudar de cidade e de pessoas resta-nos aprender a valorizar menos a opinião alheia e a não ter receio do diferente, do disparate ou do que quer que seja que nos apeteça ser.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Violência doméstica
Volta e meia surgem novas noticias ou pontos de situação relativos à violência doméstica. Esta era a noticia de hoje do semanário Sol. Aparentemente o número de casos de violência doméstica aumenta no Verão devido a maior convivência entre casais, entretanto o cenário de crise também poderá inflamar as discussões. Contudo, para mim, é evidente que algo de grave se passa por detrás de cada caso, mas não há justificação possível.
Há estudos que apontam uma vantagem evolutiva aos actos de violência doméstica, que supostamente aumentaria a probabilidade da mulher ter filhos seus e não de outro homem, embora perceba o raciocínio acho a teoria desadequada aos dias de hoje. É um problema comum a todas as culturas embora possa apresentar contornos distintos. É necessário ter ainda em conta que embora a maioria das vitimas sejam mulheres, também há casos de violência contra homens.
Nos dias que correm o papel da mulher já não é apenas cuidar da casa e dos filhos, cada vez mais estas tarefas são feitas a dois e a mulher também investe na sua própria carreira profissional. Deixou de haver uma única fonte de rendimento, deixou de haver uma dependência directa do outro. O casal é visto como dois indivíduos que partilham parte da sua vida e têm projectos em comum, mas também têm condições para a qualquer momento voltar a viver sozinhos. Os filhos poderão ser um boa razão para tentar manter um casal coeso, mas também não é obrigatório.
Eu acredito que o problema reside na meneia de pensar das pessoas. Uma relação não pode ser vista como um fim em si, mas antes como um processo. Antes de saber viver com outra pessoa é necessário aprender a estar sozinho, conhecer-se, respeitar-se e dar-se ao respeito. Nem sempre acontece, nem sempre as pessoas são educadas nesse sentido. Um acto de violência contra outra pessoa demonstra insegurança, dependência e falta de controlo de quem assim age. Não é uma questão de tempo, de dinheiro ou de poder, são razões bem mais primitivas.
Nos casos da violência doméstica não é só quem é agredido que precisa de ajuda, um precisa de perceber porque reage assim e entender os efeitos nefastos das suas atitudes o outro precisa de aprender que não há razões que justifiquem aceitar este tipo de atitudes e que é possivel viver de outra forma. Falhou muita coisa para se chegar à violência, a meu ver falham dois na construção de uma relação sustentável.
Há estudos que apontam uma vantagem evolutiva aos actos de violência doméstica, que supostamente aumentaria a probabilidade da mulher ter filhos seus e não de outro homem, embora perceba o raciocínio acho a teoria desadequada aos dias de hoje. É um problema comum a todas as culturas embora possa apresentar contornos distintos. É necessário ter ainda em conta que embora a maioria das vitimas sejam mulheres, também há casos de violência contra homens.
Nos dias que correm o papel da mulher já não é apenas cuidar da casa e dos filhos, cada vez mais estas tarefas são feitas a dois e a mulher também investe na sua própria carreira profissional. Deixou de haver uma única fonte de rendimento, deixou de haver uma dependência directa do outro. O casal é visto como dois indivíduos que partilham parte da sua vida e têm projectos em comum, mas também têm condições para a qualquer momento voltar a viver sozinhos. Os filhos poderão ser um boa razão para tentar manter um casal coeso, mas também não é obrigatório.
Eu acredito que o problema reside na meneia de pensar das pessoas. Uma relação não pode ser vista como um fim em si, mas antes como um processo. Antes de saber viver com outra pessoa é necessário aprender a estar sozinho, conhecer-se, respeitar-se e dar-se ao respeito. Nem sempre acontece, nem sempre as pessoas são educadas nesse sentido. Um acto de violência contra outra pessoa demonstra insegurança, dependência e falta de controlo de quem assim age. Não é uma questão de tempo, de dinheiro ou de poder, são razões bem mais primitivas.
Nos casos da violência doméstica não é só quem é agredido que precisa de ajuda, um precisa de perceber porque reage assim e entender os efeitos nefastos das suas atitudes o outro precisa de aprender que não há razões que justifiquem aceitar este tipo de atitudes e que é possivel viver de outra forma. Falhou muita coisa para se chegar à violência, a meu ver falham dois na construção de uma relação sustentável.
Subscrever:
Mensagens (Atom)