sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Look Up

Já passou imenso tempo desde o ultimo post. Lembro-me várias vezes de escrever e parece que nunca encontro o momento. Não é difícil sentirmos-nos absorvidos por todos planos, tarefas e metas que vamos criando, ajustando e renovando. Por outro lado, o acesso imediato e quase ininterrupto que temos aos novos meios de comunicação e entretenimento sugam o que seria tempo livre, aborrecido e sem nada para fazer. Tempo que precisamos para fazer as outras tantas coisas que não estão na lista principal, mas também nos dão alegria e prazer.

Um pouco por acaso encontrei este vídeo no You Tube, uma reflexão sobre a utilização massiva das redes sociais. Tem alguns pontos de vista interessantes.

















 
(https://www.youtube.com/watch?v=Z7dLU6fk9QY)

quinta-feira, 20 de março de 2014

20 Março, dia da Felicidade

http://www.unfoundation.org/


 Para os que, tal como eu, não sabiam, ficam a saber: dia 20 de Março é o dia internacional da Felicidade (International Day of Happiness). Não sei se o inicio da primavera teve alguma coisa a ver com a escolha do dia, eu pessoalmente acho que até faz sentido, dias maiores, sol e temperatura agradável são contributos valiosos para esse sentimento tão procurado e efémero como a felicidade.


Cada um terá os seus planos, que acreditamos, nos vão trazer mais momentos de felicidade, cada um terá os seus padrões, muitos serão simplesmente felizes e só o descobrirão depois do momento passado. Num mundo em que a tendência é reinventar novas maneiras de solucionar as necessidades conhecidas e ainda por descobrir, o que não falta são teorias sobre como encontrar a felicidade e aparentemente o segredo está nas coisas mais simples e primitivas. Habitualmente todos sabemos actividades que nos dão prazer e nos fazem felizes o problema costuma ser arranjar tempo nas agendas dos dias que passam a correr lotados de planos, trabalhos pendentes, deadlines, preocupações com os problemas actuais e os que ainda estão para vir. Aparentemente preocupamo-nos demais com as pequenas coisas, ou as coisas que não nos trazem grande beneficio e temos dificuldade em dedicarmo-nos apenas ao que importa. Achamos que conseguimos dar conta de tudo e trabalhar em várias frentes sem descanso para nos frustrarmos com os resultados insatisfatórios. Adiamos os planos do que realmente queremos fazer, porque o que é "obrigação" tem prioridade. Passam os dias a correr, as semanas, os anos e depois eventualmente fica tarde para fazer o que gostaríamos de ter feito. Será que se invertermos as prioridades e nos dedicarmos mais aquilo e aqueles de que/de quem gostamos sobrevivemos ao frenesim da sociedade? Sabe tão bem parar de vez em quando e ouvir apenas o fisiológico.
Há uma teoria que diz que 80% dos resultados advêm de 20% dos nossos esforços. O desafio é identificar os 20% em que vale a pena investir e reservar o resto do tempo para ser feliz.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Antibioticos versus bactérias. take 2


www.theguardian.com


"Novas bactérias multirresistentes e agressivas estão a surgir em Portugal"
Esta noticia é de 2012, mas o problema continua presente nos dias de hoje e não é raro o dia em que são notícia  novos casos de infecções por bactérias multi resistentes.

Estaremos nós a chegar a uma fase em que simplesmente não teremos medicamentos eficazes para combater as novas infecções como se estivéssemos na era pré-antibióticos?

As doenças infecciosas continuam a ser uma das principais causas de morte prematura, especialmente nos países em desenvolvimento. O  aparecimento e disseminação de bactérias patogénicas resistentes aos antibióticos existentes despertaram a necessidade para o desenvolvimento de novos agentes terapêuticos, contudo, nos últimos 30 anos, apenas 2 novas classes de antibióticos com novos mecanismos de acção (linezolida e daptomicina) chegaram ao mercado. Verifica-se uma diminuição do investimento no desenvolvimento de novos antibióticos, quer por razões cientificas quer por questões económicas.

 Ao longo dos anos, o progresso na biologia molecular e novas técnicas de análise têm vindo a revelar novas abordagens para a descoberta e desenvolvimento de novos antibióticos, contudo é essencial que a utilização dos antibióticos actualmente existentes seja mais responsável e cuidada de forma a evitar problemas maiores com o aparecimento de bactérias multi resistentes para as quais não temos ainda tratamento eficaz.

Quando aparecem infecções causadas por bactérias que vão resistindo e persistindo a cada nova tentativa de tratamento, vão-se esgotando as opções existentes. Por exemplo tem sido cada vez mais comum o aparecimento que organismos resistentes a todos os antibióticos excepto à Colistina, um agente com elevado nível de toxicidade e eficácia duvidosa que tinha sido abandonado nos anos 60 após o aparecimento de terapias mais seguras e eficazes. Pior ainda é o aparecimento de organismos resistentes a todas as classes de antibióticos. Estas infecções são responsáveis por elevada taxa de mortalidade independentemente do tratamento aplicado e continuarão a ser causa de morte enquanto não surgirem novos métodos de prevenção e tratamento. Isto não significa que sempre que alguém tenha uma infecção por estes organismos esteja condenado. Há alguns casos em que se observa recuperação, ou seja, mesmo não havendo antibiótico eficaz, o organismo humano pode conseguir combater o agente infeccioso e recuperar. Infelizmente esta tarefa pode se mostrar mais difícil e menos provável para pessoas internadas com  estado de saúde comprometido por outras doenças.

Só recentemente é que se começou a falar desta questão e da necessidade de racionalizar a utilização dos antibióticos. A comunidade médica começou gradualmente a direccionar melhor o tratamento em vez de partir logo para o ataque em todas as frentes, contudo, acredito que se continue a tomar muitos antibióticos só porque sim, não havendo uma justificação clara para tal decisão. Em parte, esta atitude também é culpa dos utentes e da falta de informação quando acham que não é razoável esperar simplesmente que uma infecção viral passe, apenas com gestão dos sintomas, e exigem ou procuram soluções desajustadas como os antibióticos. O facto de termos mais medicamentos à nossa disposição não significa que tomá-los pelo sim pelo não (leia-se: para o caso de ser infecção bacteriana ou não) não é de todo a melhor abordagem e o aparecimento de estirpes multi resistentes são prova disso. Não obstante, os antibióticos continuam a ser aliados valiosos quando bem utilizados, o necessário é zelar para que não se tornem obsoletos demasiado depressa.


"...how the antibiotics pipeline is drying up while resistance to existing drugs is increasing. Theresa Braine reports." in  Race against time to develop new antibiotics.



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Receita para um final infeliz

É sabido que desde que a Internet se tornou global e de fácil acesso, podemos encontrar todo o tipo de teorias sobre todo o tipo de assuntos, não é difícil encontrar alguém algures que partilha as mesmas ideias ou opiniões sobre determinados assuntos, mesmo que descabidos. Há várias formas de testarmos a credibilidade daquilo que lemos. Eu gosto de estudos científicos, mas mesmo esses valem o que valem. E é sobre isso que vou escrever hoje. O senhor chama-se John Gottman, dedica-se há vários anos ao estudo de relacionamentos e as suas teorias constituem parte dos fundamentos da chamada terapia de casal.

Num dos seus estudos mais conhecidos (Predicting Divorce among Newlyweds from the First Three Minutes of a Marital Conflict Discussion) apresenta um modelo para prever a ocorrência de divorcio entre casais baseando-se na forma como discutem. Ou seja, defende que a maneira como os casais se relacionam e gerem as suas discussões tem um peso determinante no sucesso ou insucesso das relações. 

Dos vários factores envolvidos salientam-se 4 (apelidados de cavaleiros do apocalipse) que são: critica, desprezo, atitude defensiva e bloqueio da conversação.

O primeiro factor é a critica, mas Gottman salienta a diferença entre critica e queixa. Todos os casais terão alguma queixa/observação a fazer um do outro, queixar-se de alguma coisa é normal, a diferença está na forma como é feita e quando a queixa se torna critica (no sentido não construtivo). Uma queixa foca-se num comportamento especifico, numa situação, enquanto que a critica ataca o carácter da pessoa. ex: "Devias me ter dito que ias chegar atrasado/a que eu teria aproveitado para fazer outra coisa enquanto esperava" Vs "Chegas sempre atrasado/a, és completamente irresponsável, nunca posso confiar em ti".

A critica, no sentido não construtivo, pode levar ao segundo factor, o desprezo. Alguns exemplos de desprezo são o sarcasmo, cinismo, insulto, revirar de olhos, escárnio ou simplesmente humor hostil. Desprezo é um dos piores "cavaleiros", pois comunica desgosto para a pessoa a quem é direccionado, afectando a sua auto estima e agravando ainda mais o conflito. Ao mesmo tempo a pessoa que critica e mostra desprezo coloca-se numa posição de superioridade, acusações e ditando as regras do jogo. Esta atitude atropela o principio de igualdade e respeito mutuo.

Uma resposta natural ao desprezo é uma atitude defensiva, o terceiro cavaleiro. Quando alguém se sente de alguma forma "atacado" tendencialmente torna-se defensivo. A atitude defensiva rejeita responsabilidades na origem do problema, quer pela forma como foi abordado, quer por não reconhecer as suas limitações. Nesta fase o problema não só não fica resolvido como escala para um novo nível, o bloqueio da comunicação, o quarto cavaleiro. Um dos parceiros "desliga" da conversa, dos argumentos e da discussão. Esta forma de desistir impossibilita uma resolução clara e pacifica do problema que esteve na origem da discussão e normalmente surge após se terem atingido os 3 cavaleiros anteriores. Aparentemente é mais comum nos homens que nas mulheres e é utilizado numa tentativa de travar o mau estar provocado pela discussão. A pessoa que bloqueia a comunicação tende a ignorar o parceiro, não dando sinais de resposta, o que torna o outro ainda mais furioso.

Segundo Gottman, cada um destes factores ou cavaleiros tem valor preditivo no divorcio/separação, sendo que na maioria das vezes estão os 4 presentes nos relacionamentos infelizes.














terça-feira, 30 de julho de 2013

Apenas calorias



Nos últimos tempos a problemática da obesidade tem vindo a ganhar terreno e com ela o interesse pelas tabelas de informação nutricional presentes nos rótulos dos alimentos. Na altura do verão ainda mais, não só por questões de saúde, mas essencialmente para “controlo” das calorias. Grandes marcas da industria alimentar têm manifestado “interesse” em ajudar a controlar o problema da obesidade promovendo produtos com baixo teor calórico.

Neste contexto, a Coca-Cola lançou recentemente a campanha mundial anti-obesidade "compromissos globais para ajudar a combater a obesidade" – com a promessa expandir a apresentação da informação das calorias nos rótulos de todos os seus produtos de forma a informar e dar aos consumidores uma ampla gama de opções na escolha de refrigerantes com baixo teor calórico. Este entusiasmo, não apenas da coca-cola, mas de várias empresas, revela a facilidade com que o conceito pode ser aproveitado e explorado pela industria.

A ideia partilhada pela sociedade actual de que o problema da obesidade é explicado pela equação de balanço de energia – calorias-in, calorias-out, devendo-se escolher alimentos com menos calorias revela uma visão muito redutora da questão, negligenciando a qualidade dos alimentos e a importância das diferentes fontes de calorias.
Tem havido uma pressão por parte de especialistas em saúde publica e nutrição para que a informação energética apareça no rotulo de todos os alimentos de forma bem visível e idealmente também nos menus dos restaurantes (já acontece no caso do Mcdonals por exemplo), de forma a que essa informação possa influenciar a escolha dos clientes e incentivar a industria a reduzir o número de calorias dos seus produtos.

Muitas empresas de alimentos têm-se colado à mensagem dominante da saúde publica proclamando que todas as calorias contam no que diz respeito a ganhar ou perder peso, passando a ideia de que uma caloria de açúcar é o mesmo que uma caloria de maça ou banana e que a qualidade dos alimentos é irrelevante quando se trata de ganho ou perda de peso. Esta ideia abre caminho para os alimentos altamente processados e modificados de forma a apresentarem baixo teor calórico. Tudo parece ideal se não se tiver em conta a lista de ingredientes (a que pouca gente presta atenção ou consegue interpretar. Sim a quantidade de nomes estranhos e ingredientes do tipo E’qualquer coisa’ começa a ser dominante nalguns tipos de alimentos).
A estratégia das empresas passa por reduzir a quantidade de ingredientes refinados e reconstituídos como o açúcar, óleos vegetais refinados e modificados, amido modificado e extractos de produtos de carne. Estes ingredientes estão na base de muitos alimentos altamente processados e produtos de fast food. Na parte dos refrigerantes, a industria consegue reduzir o teor calórico recorrendo a adoçantes artificiais como stevia e aspartamo para substituir açucares como a sacarose ou a frutose. Todos estes aditivos, são aprovados para uso alimentar e considerados seguros se consumidos em quantidades reduzidas. O problema é que estão por toda a parte, tirando os alimentos simples, começa a ser difícil encontrar produtos alimentares que não os contenham na sua composição.

A informação das calorias nos rótulos é importante e deve ser utilizada pelos consumidores para identificar a presença das chamados "calorias ocultas", na forma de quantidades excessivas de óleos vegetais adicionados, açúcar, soja, farinhas altamente refinadas, e carne gorda com o objectivo de ter uma noção da quantidade de alimento que deve ser consumido numa determinada situação.

A ênfase que a publicidade dos alimentos coloca nas calorias permite desviar a atenção dos consumidores da lista de ingredientes, método de processamento e a qualidade geral dos alimentos e da fonte de energia. Esta visão redutora despreza o impacto dos alimentos altamente processados no metabolismo e saúde geral das pessoas que os consomem.

Na maioria das vezes, a informação está lá, mas da forma que mais convém à industria e não ao consumidor. É necessário que as pessoas se tornem mais conscientes da real composição, proporção e qualidade dos alimentos e ingredientes daquilo que ingerem de forma a verem para além das mensagens de marketing das empresas de alimentos e refrigerantes.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Copo de água



Nos últimos tempos as publicações aqui no blogue tornaram-se um pouco mais raras, não por falta de assunto interessante, mas porque o tempo parece sempre pouco e outras preocupações afastam-me daqui.

Hoje encontrei esta história algures na net. Muito simples, mas faz todo o sentido.

"Uma psicóloga andava em torno da sala enquanto dava uma aula de gestão de stress para a audiência. Quando levantou um copo com água, todos esperavam a pergunta do copo meio cheio ou meio vazio. Em vez disso, ela perguntou: "Quanto pesa este copo de água?" 


As respostas variaram entre 200 e 600 gramas.

Ela respondeu: "O peso absoluto não importa. Depende de quanto tempo vou segurá-lo. Se eu segurar o copo na mão por um minuto, não há um problema. Se o segurar durante uma hora, provavelmente vou ficar com dor no braço. Se o segurar durante um dia, vou sentir o meu braço entorpecido e paralisado. Em cada caso, o peso do copo não muda, mas quanto mais tempo o segurar, mais pesado ele se torna. "Ela continuou: "As tensões e preocupações da vida são como um copo de água. Pensar nelas  por um tempo e nada acontece. Pensar nelas um pouco mais e elas começam a doer. E se pensarmos nisso o dia todo, vamos-nos sentir sentir paralisados - incapazes de fazer qualquer coisa. "
 

É importante lembrarmo-nos de libertar as nossas tensões. No início da noite, logo que possível devemos pousar os nossos fardos. Não carregá-los durante a tarde e a noite. Lembrem-se de pousar o copo!"

sexta-feira, 3 de maio de 2013

post 2. interesses comuns


Do opposites attract?

Há a visão romântica de que os opostos se atraem. Eu não concordo. Até pode despertar alguma atenção, mas normalmente não é sustentável.

Os relacionamentos baseiam-se na procura de soluções para as nossas necessidades, muitas vezes de forma inconsciente. Ou seja, tentamos encontrar alguém que nos complementa, que nos ajude a aprender, a curar e a crescer.

Se há coisa que fortalece uma relação é a existência de interesses comuns. Até podemos achar a diferença interessante, mas no fundo o que nos faz aproximar é o entusiasmo que se partilha pelas mesmas coisas. Tendencialmente gostamos de pessoas com as quais nos identificamos ideologicamente, que têm ambições semelhantes, que gostam daquilo que nós gostamos. Não se trata de procurar alguém igual a nós, mas sim alguém que nos complementa. Alguma divergência também tem a sua piada, mas se for o oposto o mais provável é que se torne insuportável.

Numa relação é importante ter uma visão clara dos nossos interesses e dos interesses do outro. O que gostamos e não gostamos de fazer, o que ainda não se conhece mas se gostaria de experimentar. Interesses em comum podem gerar boas conversas, incentivos e momentos de convívio para o casal. Por outro lado é importante perceber que não é essencial que os dois gostem exactamente das mesmas coisas, é claro que há actividades que as mulheres apreciam, que os homens dispensam com prazer e alivio e vice-versa. Para isso existem os programas com os amigos/as ou a sós.

À medida que a relação se consolida as semelhanças tornam-se ainda mais importantes. Desde o tipo de alimentação, passatempos e estilo de vida até às ambições e planos futuros. Idealmente, há uma adaptação bilateral com vista à convergência, se houver posturas opostas em aspectos essenciais torna-se difícil avançar sem atropelar alguma das partes. Por outro lado, o respeito e tolerância pelas diferenças permite relativizar as divergências e dedicar-se ao essencial.

segunda-feira, 25 de março de 2013

HIV, batalhas ganhas e outras tantas por travar

A cura funcional de uma criança infectada pelo vírus HIV foi amplamente noticiada e marcou uma nova era na historia deste vírus. Estamos no bom caminho quanto ao desenvolvimento de terapias cada vez mais eficazes.

Com esta onda de optimismo surgem também noticias algo preocupantes de um continente onde a infecção por HIV é endémica em várias regiões e a taxa de infectados parece não querer baixar, sim, falo de África. Por detrás desta realidade está não só a dificuldade no acesso a conhecimento e tratamento adequado mas uma cultura de crenças e tradições que é difícil ultrapassar.

Para muitos africanos, dizer que a Sida é causada por um vírus que  é transmitido por contacto sexual não é explicação suficiente, havendo ainda lugar para a possibilidade de haver magia negra e maldições por detrás desta "estranha" doença. Ainda se acredita que ter sexo desprotegido com uma virgem pode curar as pessoas com Sida. É fácil perceber como esta forma de pensar, que faz parte de crenças fortemente enraizadas,  leva a um numero crescente de novos contágios, sem grande alternativa de protecção ou cura.

Segundo um artigo da CNN, em algumas partes do Sul de África, as viúvas devem ter relações sexuais desprotegidas de forma a livrar a si e a sua família de maldições. As pessoas têm medo e acreditam que esse é o caminho da purificação, ao mesmo tempo que se colocam em maior risco de ficarem infectadas com o vírus HIV. Esta tradição levou mesmo ao desenvolvimento de negócios, havendo "profissionais" que cobram preços elevados pelos seus serviços, havendo viúvas que estão dispostas a pagar a fim de evitar uma maldição sobre as suas famílias.

É um pouco estranho e difícil de compreender, mas faz parte da cultura e mesmo que os obstáculos a nivel científico estejam a ser ultrapassados, chegar até essas pessoas e protege-las/cura-las é outra batalha longe de ser vencida.


 


quarta-feira, 13 de março de 2013

post 1. comunicação nos relacionamentos

Red shell partners
 
Este será o primeiro post sobre a temática dos relacionamentos afectivos. Tal como já referi algures, escrevo pelo belo prazer de reflectir sobre os assuntos e não por achar que sei exactamente como as coisas funcionam, é apenas mais uma teoria.

Uma das coisa que eu considero mais importante numa relação é a boa comunicação entre as pessoas. Cada relacionamento resulta na combinação de duas personalidades com historias individuais que passam a escrever em conjunto uma nova história. A verdade é que os relacionamentos "começam" da forma mais inesperada e inevitavelmente cria-se uma espécie de contrato implícito na cabeça de cada um, assunções não verbais que delimitam os limites, as expectativas e os objectivos da relação. Normalíssimos e óbvios para quem os pensa, mas nem sempre os mesmo que se criam do outro lado.

Uma parte fundamental da boa comunicação num relacionamento consiste em tornar explícitos as assunções que mentalmente criámos. Expor e perceber o ponto de vista de cada um, embora compreender e respeitar não seja sinónimo de concordar, nem tem que ser.

Antes de sermos capazes de verbalizar aquilo que esperamos de uma relação é necessário fazermos uma análise profunda e sincera às nossas vontades,  perspectivas e planos para o futuro. Não adianta tentar idealizar ou fazer/dizer o politicamente correcto quando no fundo não é isso em que acreditamos. Afinal o que é que esperamos de nós e da outra pessoa no relacionamento, o que é que nos realiza e o que não suportaríamos. Quanto mais cedo estivermos conscientes das nossas perspectivas e limites e das só outro mais facilmente evitamos frustrações desnecessárias. Não se trata de impor regras ao outro, mas seria cobarde e injusto esperar um determinado comportamento quando nunca manifestámos essa intenção de forma clara.

O que muitas vezes acontece é que, para cada um, o relacionamento assume uma dimensão diferente e cada um espera coisas diferentes do outro e da relação em si sem que no entanto isso seja comunicado entre ambos. A primeira divergência vai dar origem a desilusão e alguma magoa, que se nem aí for devidamente comunicada dará inicio a um ciclo ao estilo bola de neve e uma coisa que inicialmente era quase insignificante vai adquirindo dimensões cada vez maiores e com potencial para fazer mais estragos.

Por outro lado também se pode seguir um caminho mais fácil e agradável ao ego e ao ouvido numa fase inicial, que consiste em fazer de conta que estamos numa relacionamento perfeito e somos pessoas perfeitas, e aí, com as expectativas nos píncaros vamos acumulando frustrações a cada choque com a realidade. Dará contudo muito mais trabalho manter a imagem de uma coisa que não somos, mostrar agrado por uma coisa de que não gostamos e esperar de alguém coisas que nem lhe passam pela cabeça.

Diz a sabedoria popular que as mulheres têm por habito esperar que os homens adivinhem o que lhes passa pela cabeça, enquanto os homens são mais práticos e simplesmente não gostam ou têm grande jeito para falar de sentimentos.

É claro que haverá pessoas com maior e menor capacidade para comunicar neste tipo de assuntos, um passo importante é perceber que uma comunicação eficaz pode evitar e resolver muitos mal entendidos. Vale a pena deixar de lado as ilusões e algum orgulho e fazer um esforço por verbalizar o que lhe vai na alma ao mesmo tempo que também se tenta compreender o que se passa do outro lado. Ter noção das nossas limitações e das do outro e explorar o melhor de cada um.

terça-feira, 5 de março de 2013

Como anda a saúde e a doença

Afinal quais são as principais causas de morte no mundo e como variam conforme o país?
 
O Instituto de Métrica e Avaliação de Saúde (Institute for Health Metrics and Evaluation) publicou um novo relatório do panorama de doença actual e no site é possível ver como os dados sobre saúde e mortalidade variam nos diferentes países, regiões, faixa etária e sexo. Vale a pena brincar um pouco com estas ferramentas e perceber como as causa de morte têm vindo a mudar e o que é que mais anos de vida nos tira.


http://ihmeuw.org/30
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Resolução de São Valentin

Hoje é o famoso dia de São Valentim. Não fosse um dia tão associado ao apelo consumista, tipo Natal mas em um pouco mais restrito, era pretexto bastante simpático para festejar o amor, os relacionamentos e todas essas coisas associadas.
Mesmo que não sejamos grandes adeptos de dias temáticos, é inevitável não pensar um pouco neles e ou fazer uma pequena análise da situação. No que diz respeito a amores, está na nossa natureza a procura de um semelhante com quem possamos partilhar vivências e com sorte uma boa parte da vida. Encontrar alguém que nos aceite e nos ame e se deixe amar. É um dos factores que contribui para a nossa felicidade/realização, mas também ansiedade e desilusão. Não há uma formula que se aplique a toda a gente ou que funcione sempre, mas há padrões de comportamento que por experiência própria e alheia sabemos se é ou não o bom caminho.

Há um ano atrás, precisamente neste dia, fiz um post semi lamechas sobre o assunto, onde expressei a minha admiração pelos que entendem e cultivam o amor. Um ano depois continuo a achar que é tarefa difícil e proponho-me a dar inicio a uma nova rotina neste blogue. A ideia é escrever uma vez por mês especificamente sobre a temática dos relacionamentos, não que eu seja especialista na matéria, mas porque, como qualquer pessoa, tenho as minha teorias sobre o assunto e talvez seja um desafio engraçado passa-las para a forma escrita e porque não partilha-las também aqui. É uma tarefa algo arriscada porque a nossa perspectiva sobre este assunto varia muito consoante a nossa posição e estado de alma, mas certamente vai ser bom observar a evolução da coisa. Por outro lado comprometo-me a escrever apenas sobre aquilo em que realmente acredito, embora tenha noção de que da teoria a pratica haja alguns desvios, inerentes ao facto de não nos conhecermos completamente nem termos capacidade de controlar tudo aquilo que sentimos ou fazemos.

Happy Saint Valentine's day!!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Colhe o dia

Hoje fica apenas um poema, porque ainda há muito para colher!

Colhe o Dia, porque És Ele  

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

Ricardo Reis, in "Odes"

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Para bem da economia


Se por um lado há séculos que se cobiça o elixir da vida eterna, por outro há quem defenda que se devia deixar morrer os velhos para beneficio da economia, como disse o ministro japonês Taro Aso. Se há quem invista dinheiro, tempo e trabalho árduo na procura de tratamentos para as doenças que inevitavelmente vão afectar uma parte da população, há quem pense que não vale a pena reunir esforços para tratar as pessoas a partir de um certo momento, pois isso representa elevados custos com zero benefícios para a economia.
É estranho e perigoso pensar assim, digo eu.

O Japão é um dos países em que a esperança média de vida é mais elevada, cerca de 87 anos no caso das mulheres e 80 anos para os homens. Embora o envelhecimento seja inevitável, para Taro Aso, é um problema e deve ser resolvido. Talvez devesse haver um limite para se receber cuidados de saúde, uma validade, como se até determinado ponto se devesse tratar e a partir daí se devesse deixar morrer. Certamente que este senhor nunca passou muito tempo num hospital ou unidade de cuidados continuados. É claro que deve haver limites, não é razoável prolongar artificialmente a vida humana a qualquer custo, mas decidam de uma vez se querem viver mais ou ser deixados morrer em casos mais complexos.

Quando nós consideramos o envelhecimento não um problema a ser resolvido mas uma alteração inevitável com a qual temos que conviver pode-se começar a pensar em formas de maximizar os benefícios públicos e privados do envelhecimento enquanto se minimiza os efeitos das doenças associadas. É possível associar longevidade e qualidade de vida a oportunidades de negócio, a responsabilidade social, a melhor educação. Enquanto houver doenças que possam ser evitadas através da alteração dos hábitos de vida, há margem para reduzir os custos de saúde ou pelo menos responsabilizar de alguma forma os candidatos a essas doenças e aos cuidados de saúde que poderiam ser evitados.

Eu, que não sou da área da economia, acho abusivo defender uma morte mais célere para os enfermos com simples intuito de beneficiar a economia. Daqui a pouco vão chegar à conclusão que os presos, os portadores de deficiência profunda e porque não os desempregados (entres outros grupos pouco produtivos) não trazem beneficio para a economia, o que se vai fazer com eles?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Mente dispersa

A mente humana tem uma  capacidade ilimitada o que faz com que disperse facilmente quando não tem uma carga de ocupação suficiente ou quando estamos a tentar focar em algo, mas preocupados com outra coisa.
Ontem estava no metro e reparei precisamente nisso. É comum encontrar pessoas com o olhar no vazio e o pensamento distante. É uma reacção semi automática, num momento estamos a ler ou a observar a paisagem e vamos sendo invadidos por pensamentos sobre coisas que não têm muito a ver e aí a mente vagueia, quase como quando sonhamos, nem sempre tem sentido, nem sempre tem elo de ligação, ás vezes nem nos damos conta que aconteceu. Os olhos continuam a ler ou a registar imagens, mas no final não nos lembramos de nada do que lemos ou vimos. Pequenas coisas fazem-nos regressar "à terra". Têm piada porque nem sempre são pensamentos racionais, é como se o nosso cérebro estivesse a tentar encontrar explicações ou a testar hipóteses para acontecimentos reais ou hipotéticos, sem grandes filtros ou censuras. Volta e meia acontece-me e fico espantada com a criatividade e de uma mente dispersa.




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Magia do fim de ano

Às vezes a época da passagem de ano não parece ter nada de especial para alem de ser o final de Dezembro e inicio de Janeiro, contudo nem sempre é sentida assim assim, ou pelo não para toda a gente. Para além de ser o fim de um mês e inicio de outro é também o fim de um ano e inicio de outro, o que torna esta época mais propicia a balanços e resoluções para o futuro. Há varias ocasiões propicias a tais reflexões, mas esta parece ser das mais generalizadas.

À medida que nos distanciamos no tempo dos acontecimentos começamos a explorar outras perspectivas, fazemos re-avaliações e novas interpretações. O fim do ano pode ser pensado como o fim de mais uma etapa. É uma boa altura para pensar no que se tem feito e ver se está de acordo com planos/expectativas iniciais. Há o risco de se tornar nostálgico mas também podemos ter surpresas principalmente se for uma reflexão realista. É inevitável que uma boa parte das expectativas tenham saído furadas, que se fique desiludido com outras pessoas ou com nós mesmos em determinados acontecimentos, mas provavelmente também houve imprevistos e desenrolares que não estavam nos planos e se revelaram melhores do que se esperava. A par desta reflexão vem a nossa vontade de mudar tudo o que nos parece errado ou incompleto, fazemos novos planos e tomamos decisões para o novo ano. Sem saber muito bem porque, esta é também uma época em que gozamos de algum optimismo e esperança, daí que se estabeleçam objectivos que nunca passarão de desejos, mas que nos fazem acreditar que é possível e a querer correr mais riscos para lá chegar. Este é um estado que dura alguns dias ou até semanas, mas que se pode dissipar com o tempo se a vontade não for realmente forte. Há um aumento nas inscrições e idas ao ginásio ou corridas, por alguns dias come-se mais saudável, somos mais organizados e assertivos, somos mais confiantes, arriscamos mais e amamos mais. Depois vamos lentamente entrando novamente na rotina, as novas resoluções começam a ficar menos presentes e volta tudo ao normal, salvo algumas excepções.

É um ciclo que se repete todos os anos ou a cada vez que alguém decide fazer um balanço e repensar objectivos.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mais olhos que barriga

Há duas noticias que se têm vindo a tornar frequentes e são bastantes preocupantes em termos de causas e  impacto. Uma delas diz respeito ao níveis de desperdício de comida que supostamente se verifica em Portugal, tal como em muitos outros países "desenvolvidos" e a outra é sobre o excesso de peso observado em mais de metade das crianças com 5 anos.

Há desperdício de comida a vários níveis da cadeia de consumo e boa parte é mesmo no consumidor final.
Nos últimos anos têm surgido medidas com vista ao reaproveitamento de comida/sobras em restaurantes para distribuição por pessoas com mais dificuldades em ter acesso a esse bem essencial, tal como se lê no Publico. O problema é que parte da população (a que não está habituada a grandes dificuldades e racionamento) tem mais olhos que barriga e uma certa perguicite na hora de reaproveitar sobras. Por outro lado as crianças andam a comer em maior quantidade e/ou pior qualidade nutricional para alem de se mexerem menos.

Ainda se ouve a desculpa de que os alimentos saudáveis são mais caros, basta comparar o preço de uma sopa com o de uma refeição pré-cozinhada/congelada ou pensar no que se pode fazer com um kg de arroz e alguns legumes, não me parece que a razão para comer pior seja mesmo o dinheiro. Fala-se também de menos tempo e eventualmente paciência para gastar na cozinha o que vai contribuindo para a procura de soluções mais rápidas e praticas.

Não é um problema exclusivo do nosso país ou dos novos tempos, mas é uma tendência que se tem vindo a instalar. Cada um saberá a melhor forma de gerir a sua despensa, cozinha e mesa de jantar. Quanto à carteira e à saúde todos queremos acreditar que estamos a fazer o melhor que podemos e também não se pode privar de tudo, mas nalguns aspectos é preciso ser mais realista e ter noção das consequências e contrapartidas.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Fim do mundo

Toda a gente já deve ter ouvido alguma história sobre um Apocalipse, previsto no tempo, que iria dizimar a espécie humana da terra e outras formas de vida. Eventualmente começa pela constatação de algum facto mais suspeito ou interpretação abusiva de algum sinal, depois a criação da teoria, propagação e instalação do pânico e eventualmente preparação para o fim do mundo, que até agora ainda não acabou. Nos dias de hoje não é difícil partilhar teorias e encontrar outras pessoas que acreditem nessas mesmas teorias, dando uma nova dimensão aos acontecimentos.

A mais recente e popular é a do fim do calendário maia, que segundo os entendidos é um pressagio para o fim do mundo dia 21.12.2012. Há varias teorias que suportam a ideia do fim do mundo, havendo inclusive sites dedicados a dicas de sobrevivência para o acontecimento, como é o caso do Survive 2012 - The official Survival Guide for Dec 21 2012. . Algumas destas teorias podem ficar esclarecidas num vídeo apresentado pela NASA. Será o fim do mundo, um dia de mudança, ou apenas mais um?

 

DECEMBER 21 2012 - END OF THE WORLD?



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Acreditar em coisas estranhas

O ser humanos tem uma grande capacidade de acreditar em coisas estranhas e mesmo quando não faz muito sentido nem sempre é fácil mudar de ideias. Basta pensar nas crenças populares. Quando não se sabe a verdadeira razão surgem teorias e alguma acaba por prevalecer, depois surgem histórias ou novas evidencias aqui e ali que confirmam a teoria e está criado o caldo para a criação e passagem de uma história/mito. Mesmo que mais tarde se venha a provar que está errado é difícil deixar de acreditar e nalgumas pessoas continua a prevalecer. 

Neste campo incluem-se as histórias inofensivas (comer laranja à noite mata) que já ninguém sabe quando ou onde surgiram mas vão passando e coisas mais sérias que de forma intencional ou não se tornam conhecimento geral e influenciam a forma como a sociedade reage a determinados problemas como por exemplo a associação da vacinação infantil ao aparecimento de autismo entre outros mitos sobre saúde. Neste caso levou a que muitos pais optassem por não vacinar os seus filhos, fazendo aumentar a ocorrência de doenças que poderiam ser prevenidas através de vacinação e os gastos desnecessários em campanhas publicas para tentar rectificar a situação. As áreas da economia e politica são também bastante férteis neste tipo de fenómenos. 

Existem vários processos de disseminação de informação falsa na sociedade, rumores propagados pela Internet, pelos media, governo e políticos, ficção cientifica ou outras pessoas com fontes e interesses duvidosos. Na era em que estamos, a comunicação e propagação de informação falsa são processos selvagens, é prever a dimensão ou controlar os danos.

Ao nível individual existem factores cognitivos  que facilitam o estabelecimento de mitos e os tornam resistentes à correcção. Quando não há preocupação em averiguar os factos existem atalhos mentais. 

  • A nova informação está em concordância com aquilo em que acreditamos: ser mais ou menos conservador, religioso ou não, de esquerda ou direita influencia o nível de aceitação de novas teorias/histórias. 
  • Faz sentido? Se é fácil de entender/explicar, é fácil de acreditar.
  • Quem disse? Se foi uma pessoa com autoridade ou em posições de poder é mais provável que não se ponha em causa.
  • Quem acredita nisso? É o efeito manada, se muita gente acredita é provável que seja verdade, embora também se saiba que às vezes temos a sensação de que a maioria das pessoas tem a mesma perspectiva que nós mesmo quando não tem.
A partir do momento em que o mito está generalizado, a inercia opõem-se a mudança de ideias (dá trabalho questionar aquilo em que dá jeito acreditar), não basta provar cientificamente ou através de comprovação de factos, é um processo lento, às vezes também designado de mudança de mentalidades.

 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Mais um retrato de Portugal

Portugal retratado por Mauricio Lima no New York Times.

Mauricio Lima for The New York Times
"Emilia Garcia, 46, stood in the Santa Filomena neighborhood in Amadora, Portugal, where local authorities have ruled that the entire neighborhood — predominantly home to immigrants from Cape Verde — is illegally occupied and have begun to demolish all of the homes there. Portugal has assiduously followed the belt-tightening prescriptions of its international lenders, passing on Tuesday yet another tough budget that raises taxes and cuts services"

sábado, 24 de novembro de 2012

Afinal o que é que queremos?

Há muitas teorias sobre a realização pessoal, bem estar e felicidade das pessoas. Afinal o que é que nos move? O que é que nos faz bem à alma ou o que é que nos faz feliz? Em que é que consiste a realização pessoal? Há dias em que tudo parece fácil, natural e prazeroso e há os outros em que nada parece encaixar, correr como previsto. Há dias em que parece que sentimos o universo a conspirar em nosso favor e outros em que parece que todo o mundo acordou para nos contrariar.

Sim, o dinheiro e a liberdade de escolher a forma como se vive contribui para a felicidade, mas não é uma meta, é caminho. Gostamos mesmo é do desafio, ter um ideal, ter um plano e ir vivendo no sentido de o concretizar. Às vezes é impossível, e nós sabemos isso mas mesmo assim acreditamos porque dá estimulo para continuar. E a felicidade aparece pelo meio aqui e ali, como recompensa ou por acaso. Há quem acredite que quando acabar qualquer coisa, quando casar, quando tiver uma casa, quando tiver filhos aí sim vai ser feliz, como se achasse que a vida actual não é suficiente, é ilusão e quanto mais tarde se apercebem disso mais dói. É preciso ter ambição, mas a valorização e gratidão pelo que se tem também ajuda a que não se adie eternamente a felicidade consciente. Somos seres complexos, há muitas variáveis e nem sempre está tudo em alta. A nossa incapacidade de controlar determinados acontecimentos é frustrante, mas faz parte das regras do jogo. Temos diferentes estratégias para colmatar esta frustração, as actividades paralelas, os escapes, a descontracção e as massagens ao ego. Precisamos de sentir que somos capazes, que fazemos alguma coisa de útil, que somos dignos de reconhecimento e se não acontece numa área procuramo-lo noutra. Neste campo encontra-se o voluntariado, a dedicação a causas nobres (ex. família/amigos), o gozo de exibir um carro ou uma roupa/ou outro acessório novo (daí que a generalidade das mulheres aprecie fazer compras e boa parte dos homens aprecie grandes maquinas), o jogo e o desejo de ganhar, actividades físicas ou mentais e o desejo de ganhar ou se superar, a religião e o sentimento de pertença e as actividades que nos levam para outras realidades como os livros, os filmes, as novelas ou histórias da vida dos outros em geral. A frustração pode mesmo servir de estimulo para se tentar novas coisas e novos limites ao mesmo tempo que recarregamos energia para continuar a fazer qualquer coisa mais ou menos. Pelo meio há fazes de inovação e rotura com determinados hábitos, há acontecimentos inesperados, há azares e há sortes. Temos uma óptima capacidade de adaptação a novas realidades tal como também nos sabemos acomodar com facilidade. Não há uma resposta clara e única para as questões do inicio deste post. cada um terá as suas respostas e provavelmente vão mudar com os anos e fases da vida. Somos seres complexos e inconscientemente buscamos um equilíbrio, qualquer coisa que vá resultando no meio do caos e nos dê combustível para o resto.