As expectativas dos médicos relativamente às patologias dos seus doentes têm vindo a mudar drasticamente ao longo dos últimos tempos. Quando o entendimento da fisiopatologia era pouco e o acesso a possíveis medicamentos/formulas era ainda menor acredito que fosse bastante frustrante assistir à dor e padecer dos moribundos sem grandes chances de os poder trata. Foi a era do empírico, tentativa e erro ou mal menor, acreditou-se que as sangrias podiam curar, as lobotomias ser a solução, que algumas doenças eram castigos divinos ou bruxaria, tentou-se de tudo um pouco e à sorte se curavam ou morriam. As evidencias ditavam as regras para os casos seguintes, não haveria muito tempo para doenças da velhice ou complicações apenas para a progressão natural.
Com o tempo apareceram os medicamentos que pareciam autênticos milagres, das plantas ou mais sintéticos, sugiram os analgésico e os antibióticos. Há medida que se sabia mais sobre as doenças aumentava a probabilidade de encontrar algo que pudesse influenciar a sua evolução. As guerras foram sem duvida um bom impulsionador dos avanços na medicina, pela necessidade e abundancia dos casos. As operações aumentaram e a "cura" começou a chegar a um maior numero de infermidades.
Quando já eramos capazes de diagnosticar e tinhamos algumas formas de tratar, percebemos que o ideal seria mesmo detectar a doença numa fase inicial, prevenir as complicações, iniciar o tratamento quando teoricamente há mais probabilidade de sucesso. Daí até querer tratar as doenças antes delas se manifestarem foi apenas um saltinho. Com a melhoria das condições de vida e dos cuidados de saúde a esperança de vida tem vindo a aumentar e com ela o aparecimento de novas doenças típicas do envelhecimento que antigamente nem tinham oportunidade de se mostrar. Depois das vacinas que preveniam as infecções, começamos a querer prevenir doenças mais subtis, mais ou menos prováveis, mais ou menos graves. Surgiram as evidencias de que o custo da prevenção justificarias o resultado, tomamos vitaminas para o sistema imunitário ou porque são precisas ao organismo, tomamos cálcio para os ossos, os ácidos gordos para o coração, os minerais para os músculos e tudo e mais alguma coisa para o cérebro. São sabemos se iriam ser mesmo necessários, se estavam em deficit, mas mais vale prevenir. E já não estão só na farmácia, mas sim em qualquer prateleira de super mercado, a sua incorporação nos produtos processados justifica a carência do consumo de produtos naturalmente ricos nesses nutrientes.
Mas a história da prevenção tem vindo a tornar-se mais séria. A história clínica e familiar dos doentes, bem como a analise genética permite, para um leque considerável de patologias fazer previsões de probabilidades de incidência a fim de tomar as devidas precauções. Por outro lado temos métodos mais sensíveis e precisos para encontrar pequenas variações em marcadores, o preludio de algo que vai correr mal. É possível tornar as pessoas mais conscientes e responsáveis pela sua saúde, ainda somos o resultado da nossa alimentação e estilo de vida, pelo menos em parte, embora muitas vezes só nos lembremos disso depois das consequências. No campo da investigação cientifica e pratica clínica, as noticias são promissoras. Apenas na semana passada, anunciaram um teste para detectar artrite antes mesmo de doer, um estudo que ambiciona prevenir o aparecimento de alzeimer, ou a toma de estatinas por indivíduos saudáveis, com mais de 50 anos, para prevenir doenças cardiovasculares. Estas noticias vêm-se juntar a tantas outras que foram surgindo nos últimos tempos. As doenças também têm um ciclo de vida. Aparecem e ninguém sabe o que é ou o que fazer para minimizar os danos, até ao ponto em que já as topam à distancia e é possível evitar que façam estragos. Basta pensar no vírus do HIV, que antes era uma sentença de morte e hoje em dia já é quase considerada doença crónica. O problema é que há medida que umas se vencem surgem novos desafios, mas há esperança, se não for para breve, pelo menos com o tempo hão-de surgir novas estratégias para ir escapando e adiando e inevitável com a devida qualidade de vida.
Sem comentários:
Enviar um comentário