Ter amigos é relativamente fácil, ter bons amigos é um processo evolutivo sem um fim adquirido, sem compromisso real, apenas um pacto invisível. Com a fase do facebook, parece que todos temos muitos amigos, interessados nas fotos, nos estados, nas actualizações, nos aniversários ou em tudo o que mexe por lá, mas na verdade mais de 80% serão apenas conhecidos curiosos e a pequena parte que quer mesmo saber de nós, não o faz pelo facebook. A amizade é qualquer coisa de muito interessante, não há amigos iguais, mas há vários níveis de amizade, ninguém substitui ninguém, mas intuitivamente sabemos quais são as fronteiras, com quem podemos contar ou apenas juntar à festa.
Cada pessoa terá a sua definição de amizade. Para mim há os que gosto de rever em algumas circunstâncias e depois há os que fazem parte da mobília. Faz realmente sentido chamar amigo quando se dispensa formalidades, quando não é necessário um motivo para querer jantar ou combinar um café, quando podemos partilhar alegria, tristeza e tédio, quando o silencio não perturba, quando o olhar basta, quando é seguro perder a postura, quando podemos dizer o que realmente nos passa pela cabeça sem grandes restrições, quando nos encontramos depois de tanto tempo e é como se nos tivéssemos visto ontem.. É algo natural, é a pessoa que nos vem a cabeça quando estamos no pico e na vala, quando queremos partilhar o que quer que seja, com ou sem feedback, mas com a certeza de não haver julgamento.
Dizem que é provável termos mais de 30 "amigos" na década dos 20 anos. Aos 30 teremos 20, aos 40 teremos 10, e seremos sortudos se na velhice tivermos meia dúzia. De facto não é fácil. Criar laços requer tempo, paciência, compreensão, empatia e persistência de pelo menos dois lados. Há circunstâncias que facilitam a vida e promovem a aproximação das pessoas, há outras que põem a amizade á prova. Não é necessário estar em contacto permanente, não é necessário contar tudo ou fazer tudo em conjunto, apenas estar quando é preciso, saber o suficiente para compreender e fazer o essencial para marcar a diferença.
Fazer amigos é fácil, mantê-los requer alguma mestria. De tempos em tempos reencontro-me com alguns amigos e percebo que já não pertenço, que já não me pertencem. É uns sistema dinâmico que selecciona os melhores ou os que realmente precisamos.
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