segunda-feira, 26 de março de 2012
Homem, sofrimento e amor
"O homem é do tamanho do sofrimento que for capaz de suportar por amor."
Assim começava a crónica do desassossego de José Luís Nunes Martins. Li e voltei ao inicio, a frase está bem conseguida, mas não me consegui decidir se concordo ou se não passa de uma forma floreada de justificar a dor ou de justificar a "esperança que ilumina os sonhos".
A vontade de encontrar um sentido ou uma razão para os acontecimentos da vida ou mesmo para a própria vida é a ambição básica da condição humana. Reconforta, acalma, diminui a revolta e a ansiedade, acreditamos que há uma boa razão para nos pormos à prova face às adversidades, acreditamos que o esforço será recompensado, que depois da dor virá a graça. Afinal são as nossas experiências e histórias que nos moldam a maneira de ser, que nos fortalecem e dão confiança, aquilo que nos faz sofrer também nos torna mais fortes. É preciso sentir a ausência para melhor apreciar a presença. No amor também é assim. Embora às vezes se diga que só é possível amar plenamente quando não se espera nada em troca, não me parece assim tão linear. Ao nível mais básico o simples facto de amar alguém é apaziguador, engrandece a visão que temos de nós mesmos, o culminar do amor reside na sua reciprocidade, que embora nem sempre seja exigida à partida, provavelmente é o seu melhor alimento.
Há pessoas que escolhemos amar, ou amamos por acaso, há outras que nos foram "impostas", a quem se espera que aprendamos a amar, neste caso refiro-me á família. Amar um familiar próximo é fácil porque é natural, há uma ligação mais forte do que o acaso, protegemos ou/e somos protegidos, sentimos dever de amar ou gratidão manifesta na forma de amor. É difícil porque é exigente, é exaustivo, é até ao limite, porque muitas vezes implica passarmos-nos para segundo ou terceiro plano, sabendo que não seriamos capazes de fazê-lo de outra forma. Suportamos a dor, sem por em causa os nossos sentimentos. Nem tudo são rosas, nem sempre é assim, há casos em apenas se gosta ou se suporta a convivência e não somos capazes de amar, não fomos capazes de conhecer ou conhecemos bem demais, noutros ainda, nem se suporta, mas a circunstância assim o obriga.
A maneira como somos amados influencia a nossa capacidade de amar, quer a família quer as pessoas que se cruzam connosco durante a vida, influencia a nossa capacidade de "suportar o sofrimento por amor".
Continuo sem saber se concordo com a frase inicial. Talvez seja um problema de definições, a noção de sofrimento e de amor, cada um tem a sua ou então ainda não sei nada sobre o amor.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário