segunda-feira, 19 de março de 2012

Não fazer nada

"To do nothing at all is the most difficult thing in the world, the most difficult and the most intellectual."
Oscar wild

Antes de escrever a minha opinião sobre a arte de não fazer nada tenho que fazer uma pequena declaração de interesses. Não costumo reler os posts que escrevo, quando o faço, tenho vontade de alterar, acrescentar ou tirar coisas, a maneira como acho que devem ser ditas ou escritas as coisas muda, prefiro não reler. Quando escrevo tento ser fiel às ideias em que acredito, não tenho nenhum outro interesse, é apenas a minha opinião, não me responsabilizo se for confuso, contraditório, estranho ou sem muita lógica, eu às vezes consigo ser tudo isso e ainda sobra tempo.

Uma das coisas que eu me lembro de fazer bem quando era miúda, era ficar sem fazer nada, de preferência deitadinha na erva de olhar fixo nas folhas de uma árvore ou no céu. Não sentia o mínimo remorso de não fazer nada, nem vontade de ocupar o meu tempo de outra forma. À medida que fui crescendo deixei de ter tempo para não fazer nada. Entre o estudo, brincadeiras, leitura, trabalhos domésticos e planos, havia sempre alguma coisa para fazer, tal como há hoje. 

De forma geral toda a gente gosta de se sentir ocupado, ter planos para o tempo que sobra e se mesmo assim sobrar, certamente um pc, televisão ou telemóvel será uma boa solução. A necessidade de estar ocupado aumenta quando somos confrontados com pensamentos ou sentimentos desconfortáveis. Conseguimos arranjar mil e uma coisas para fazer, quando deveríamos fazer alguma coisa que não nos agrada muito ou para a qual não estamos motivados. Começamos a fazer listas de tarefas e mais tarefas que nos vão manter a mente distraída e longe do problema que a aflige. Procura-se manter a auto-estima através de outros desafios e se possível, sentirmos-nos úteis. Um período de inactividade relança o desconforto e a frustração. 

Mas que mal poderia ter a lista de "coisas a fazer", afinal é razoável pensar que uma boa forma de nos afastar ou colocar em perspectiva as nossas preocupações seria procurando distracções, explorando outras faces, por outro lado é preciso aproveitar o tempo. Aliás a vontade de não fazer nada é normalmente um dos sintomas que caracteriza a depressão. O problema é que é um ciclo vicioso, que condena à exaustão e à fuga do problema real. A capacidade de usufruir das "tarefas/actividades" fica abaixo do desejável. É um jogo que serve apenas para nos enganar, para continuar a fazer uma coisa de que não gostamos ou que nos deixa infeliz. É um mecanismo de defesa que tem um efeito positivo a curto prazo, mas se pode revelar desastroso quando accionado por demasiado tempo.

É bom ficar sem fazer nada de consciência tranquila e mente serena, certamente não é fácil, pois mesmo que o corpo abrande o pensamento corre livre e quase com vontade própria.


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