Comunicar é uma das actividades básicas das maioria das pessoas. É uma aptidão mais ou menos inata que vamos desenvolvendo desde que começamos a interagir com o mundo. Há muitas formas de comunicar, através do corpo, pelos sons e movimentos ou por intermédio de vários suportes, normalmente através da escrita.
Atrevo-me a dizer, que da mesma forma como desenvolvermos aptidão para comunicar as nossas ideias, vontades e sentimentos a outros, também aprendemos a interpretar o que nos é exposto. O tom de voz, a expressão facial ou a postura são dicas que nos ajudam a enquadrar e compreender o que alguém tenta exprimir, mesmo que possam ser parcialmente manipulados para transmitir uma impressão que não corresponde inteiramente à verdade. Não é preciso ser um expert em linguagem corporal para adivinhar se alguém está aborrecido, nervoso, desconfortável ou feliz, por exemplo, se tirarmos o som a uma novela ou filme, quase que adivinhamos o que se está a passar mesmo sem ouvir uma única palavra. A dificuldade, a meu ver, prende-se com o que está escrito. É óbvio que a comunicação através da escrita é fundamental, mas há um maior risco de haver mal entendidos, principalmente quando tem maior carácter emocional. Escrever pode ser a única forma de comunicação possível para quem está longe, não tem forma de falar pessoalmente ou não se justifica ou para quem encontra um caminho mais fácil na escrita do que na comunicação directa.
Desde as tradicionais cartas, às mensagens, e e-mails uma escolha menos feliz das palavras ou sinais de expressão pode mudar completamente o tom da mensagem lida. Tem a vantagem de podermos escolher melhor as palavras e a maneira como organizamos as ideias, provavelmente não vamos ser interrompidos enquanto explicamos o que queremos explicar mas também não vemos como a pessoa reage, não temos hipótese de ajustar o discurso à reacção ou esclarecer pontos mais duvidosos. Há ainda a duração, numa conversa, raramente nos vamos lembrar de todas as palavras exactas usadas, enquanto que quando está escrito, pode ser lido, relido, reinterpretado, fica lá. Cada pessoa tem uma forma particular de escrever, um Ok solitário nuns casos pode significar uma resposta seca de conformismo contrariado como pode ser uma expressão de concordância amigável. A pouco e pouco vamos-nos habituando ao estilo de cada um e eventualmente a interpretar melhor o que é "dito", mas nada como falar, com a boca, com as mãos, os braços, os olhos, com tudo.
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