terça-feira, 10 de abril de 2012

Velhos

Os valores de uma sociedade reflectem-se na forma como cuida dos seus velhos. (Antes de me julgarem uma pessoa insensível e grosseira, devo dizer que não gosto da palavra "idosos". Velhos, para mim não tem qualquer conotação negativa, significa apenas que já passaram uns anos e normalmente é um estatuto que atribuo aos que viveram mais de 80, portanto não lhes vou chamar idosos, mas sim velhos, com muito carinho).

Este fim de semana vi uma reportagem da SIC sobre os tempos de velhice em Portugal  um tanto perturbadora. Numa altura em que anda meio mundo preocupado em viver mais anos e com mais qualidade, parece-me que o papel dos velhotes na sociedade é um tanto indesejado e negligenciado. A maneira como cuidamos dos nossos velhos é de facto uma questão cultural e parece-me que andamos um pouco alheados às nossas obrigações, eventualmente, até esquecidos de que um dia também nós seremos velhotes. É incompreensivel a maneira como as pessoas se desapegam tão facilmente de quem os viu crescer, de quem lhes moldou os modos, de quem muito provavelmente fez sacrifícios para chegarem onde chegaram. As razões são muitas, trabalho, falta de tempo, outras preocupações, dificuldades económicas, ausência de condições e espaço ou incapacidade fisica e psicologica de aguentar tal encargo. Nalguns casos eu acredito que haja fortes razões que dificultam o cuidar dos velhos, noutros tenho quase a certeza que simplesmente não dá jeito. Por outro lado, mesmo que haja necessidade de delegar o cuidado de alguém a uma instituição, visitas regulares deveria ser o mínimo dos requisitos a cumprir. Infelizmente conheço o olhar de quem à muito foi esquecido, não imagino como será a sensação de sentir-se inútil e sozinho, numa fase em que tantas mudanças apenas acentuam as fragilidades e o peso da solidão. Haverá pessoas melhores adaptados a essas mudanças, outras apenas aprenderam a não esperar mais.

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