Há ideias que precisam de amadurecer antes de ser completamente entendidas. Quando nos deparamos com um conceito novo, mais complexo, eventualmente diferente daquilo a que estamos habituados precisamos de algum tempo para "digerir" e assimilar a informação. Nem sempre a noção com que ficamos de inicio se revela a mais fiel ou adequada, nada como dormir sobre o assunto, para termos uma visão mais clara. Com os sentimentos passa-se a mesma coisa.
Costuma-se dizer que a primeira impressão é decisiva, mas embora comece sempre por aí, cada novo contacto é uma nova oportunidade de observar, confirmar, completar ou corrigir a ideia que temos de alguém. É automático e a maioria das vezes inconsciente, como se estivéssemosem modo "update" constante. Decidimos se gostamos ou não, se nos identificamos, se a companhia é agradável ou nos deixa desconfortáveis, se nos acrescenta ou entretém. Decidimos se seria útil continuar a interacção ou se é preferível evitar. A maioria das vezes não fazemos nada quanto a isso, fica apenas arquivado para posterior "consulta". Eventualmente percebemos que apreciamos a companhia e começamos a organizar a agenda de forma a incluir planos que proporcionem interacção, queremos repetir eventos que correram bem e experimentar novos contextos. Estamos na fase de amadurecer a ideia. O resultado não depende inteiramente da observação simples, mas passa a basear-se e alimentar-se do feedback. Temos um conjunto de ideias e teorias que precisamos de validar ou refutar. Enquanto se assimila nova informação há um confronto com as noções pré formadas. Há sempre margem para a imaginação e a interpretação de acontecimentos enviesada, convém não perder completamente a lógica.
Depois do processo de amadurecimento analisam-se os resultados, balanço positivo ou negativo, pensasse no que se poderá seguir. Nesta altura já devemos ter uma ideia mais clara do que vimos, do que sentimos, do que queremos. Não se pode dizer que a fase de amadurecimento tem um fim, é um processo que estará mais ou menos presente ao longo do percurso. Não é algo que consigamos fazer a distancia, é preciso a interacção, fazer as perguntas e obter as respostas. Não devemos ter a pretensão de querer controlar ou seguir um plano, continuo a achar que a ausência de plano pode ser o melhor plano.
Excelente texto!
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