Na mesma altura em que não se fala de outra coisa a não ser da crise e suas consequências, preocupações mais doces também são postas na mesa. O Sol de hoje alerta para um numero crescente de doentes a recorrerem ao centros de saúde devido a complicações por falta de medicamentos. A situação era previsível, rendimentos baixos e mais despesas teria que levar ao corte na aquisição de alguns dos bens habituais, neste caso calha mesmo ao corte nas despesas na farmácia. As consequências, essas é que se calhar vão ser mais graves do que o esperado, pois como a noticia também refere, poupar em alguns remédios é gastar mais em serviços de saúde. Avizinha-se um ciclo vicioso, mas não sabendo eu a solução para o problema, não me vou alongar neste assunto. O que eu queria falar mesmo é de açúcar!
A preocupação não é recente e dizem eles que o açúcar é tóxico e parece que cada vez há mais evidencias da sua importância enquanto factor de risco para o desenvolvimento várias doenças. Já dizia o meu professor de farmacologia que a única diferença entre um medicamento e um veneno é apenas a dose, pois até a água, sendo essencial à vida pode ser tóxica em elevadas quantidades. O caso do açúcar não é excepção, embora haja diferentes tipos/fontes de açúcar trata-se de um nutriente de excelência para a produção de energia no nosso organismo, contudo quando a quantidade é maior do que necessário ou mesmo maior do que a nossa capacidade de metabolizar ou eliminar só poderia fazer asneira. É precisamente isso que os estudos clamam, a ponto de ser colocado ao nível do álcool e do tabaco no que diz respeito aos estragos que pode causar.
O consumo de açúcar tornou-se um problema após a industrialização, principalmente no que diz respeito à produção de alimentos processados, não esquecer que o açúcar é uma forma barata de alterar o sabor dos alimentos tornando-os mais apetitosos. Normalmente não se come açúcar às colheres, mas há uma tendência para encontrar grandes quantidades de açúcar em quase tudo. É como se houvesse necessidade de disfarçar o sabor verdadeiro dos ingredientes, às tantas nem temos noção do seu sabor, apenas nos sabe a doce. Eu acho escandaloso que os níveis de açucares simples (ou seja açúcar directo e não dos cereais em si) da maioria dos cereais de pequeno almoço rondem os 40g por 100g de produto, já para não falar dos cerca de 35g que consumimos em cada lata de refrigerante, o equivalente a 4 pacotinhos de açúcar.
Os primeiros sinais de alerta surgiram na América. O sedentarismo associado aos hábitos alimentares modernos fizeram disparar o numero de pessoas com excesso de peso e obesas, não apenas entres os adultos, mas cada vez mais entre as crianças. Como era de esperar o numero e gravidade de doenças cardiovasculares entre outras acompanharam esta tendência. Actualmente o problema já não é exclusivo da América e também em Portugal verificamos esta tendência. Não se trata apenas de uma escolha, alimentar-se de forma mais ou menos saúdavel, ser mais ou menos gordinho, mas sim de um problema de saúde publica. Já se fala em colocar taxas na utilização de açúcar, tal como se fez no sal, é pena que essa seja a a medida preferida para alertar as pessoas para a necessidade de terem mais atenção àquilo que comem, mas se for uma medida eficaz na redução do consumo de açúcar e prevenção de doenças sou completamente a favor.
A determinada altura da vida, os doentes tornam-se verdadeiras bomba relógio, tal é o equilibrio (ou desequilibrio) entre a medicação e o seu estado de saúde, o que faz com que a ausência de um medicamento especifico os possa descompensar completamente. O que não pode ser esquecido é que uma boa parte dos nossos problemas de saúde são resultado de escolhas repetidas ao longo da vida. Os maços de tabaco dizem que fumar mata e não é por isso que deixa de haver fumadores, já toda a gente sabe que o álcool e o sal fazem mal, falta adicionar o açúcar à lista. Não se trata de um complexo com o tamanho das ancas, mas sim da saúde de toda a maquinaria. Tal como dizia o outro é tudo uma questão de quantidade.
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