Normalmente ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos. Contudo, aquilo que somos é mais do que aquilo que nós vemos e sabemos, a perspectiva das pessoas em redor pode revelar coisas importantes a nosso respeito. A percepção que temos sobre a nossa própria personalidade, embora muitas vezes acertada, pode deixar de fora pontos importantes, quer por falta de informação ou distorções, motivadas, da auto-percepção. Este factor será mais importante em aspectos melhor ou pior aceites por nós e pela sociedade em que nos inserimos.
O professor Bill Swann da Universidade do Texas tem vindo a publicar vários trabalhos sobre a teoria da confirmação. Esta teoria defende que as pessoas procuram ser conhecidas e entendidas pelos outros de acordo com a maneira como se vêem a si mesmas ou daquilo que acreditam ser. Ou seja as pessoas sentem-se mais confortáveis quando são vistas de forma consistente com a sua auto-imagem. Este efeito funciona bem para os indivíduos com elevada auto-estima, mas pode representar um loop negativo para os que têm uma visão mais negativa de si mesmos, levando-os a procurar pessoas que os vejam da mesma forma. As pessoas que não gostam de si, se consideram inúteis ou incompetentes, em certa medida sentem-se mais confortáveis com pessoas que também as vêem dessa forma. Esta consistência transmite sensação de confiança e domínio da situação, pois torna-se mais fácil prever a reacção e comportamento dos outros ao mesmo tempo que fica com a sensação de auto-conhecimento e auto controlo. O professor Swann vai mais longe ao afirmar que pessoas com visão negativa de si mesmo têm preferência por avaliações negativas e parceiros que os tenham em baixa consideração (Why people self-verify).
O conceito por detrás desta teoria é algo assustador mas tem alguma lógica. Mais uma vez a necessidade de controlo e protecção nas interacções impede a saída da zona conforto e a exploração novas perspectivas, alimentando as visões e ideias pré-concebidas, mesmo que distorcidas. Parece-me claro que a melhor maneira de mudar a forma como os outros nos vêem é ser e acreditar nessa mudança, tudo o resto virá por arrasto.
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