terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quando até o stress pode ajudar

Um dia destes descobri que beber café (ou melhor, beber vários cafés no mesmo dia) me deixa stressada. O mesmo stress que me deixa os ombros tensos é muitas vezes o único gatilho que funciona na altura em que tenho mesmo de ser produtiva em alguma coisa de jeito.

Parece que o stress passou a ser moda nos últimos tempos, toda a gente o reconhece, o sente, sentiu ou tenta fugir dele. A sensação a que chamamos stress não é uma invenção recente, é uma reacção primária ao perigo e está presente em todos os animais, fica algures entre o nervosismo e a ansiedade ou é mesmo uma mistura de ambos o pode ser sentido em vários níveis de intensidade.

Tal como qualquer máquina eficiente o nosso organismo adapta os gastos de energia consoante as necessidades, há muitos sistemas a funcionar, alguns são prioritários nalguns momentos e não noutros. Numa situação de perigo ou desafio o nosso corpo entra em fase de alerta preparando-nos para a luta ou fuga. O ritmo cardíaco acelera, o metabolismo de energia altera-se, os músculos ficam tensos e prontos para a acção enquanto que actividades não essenciais à resposta ficam em stand by. Paralelamente a este circuito existe um outro cuja função é reestabelecer o equilíbrio, relaxando e restaurando o homeostasia do organismo.

O stress está presente nas mais variadas situações principalmente quando estamos perante situações novas e temos receio de não estar à altura. Nalguns casos sentimos-nos de tal forma stressados que fica mais difícil concentrar-nos no que realmente importa, prejudicando a nossa reacção. Quem já fez algum tipo de apresentação em publico, especialmente se estiver a ser avaliada, saberá a que me refiro. Por outro lado, o stress entusiasma, desafia e prepara-nos para a tarefa a que nos propomos ou somos sujeitos. Nalgumas situações pode ser mesmo um estimulo adicional e fonte de prazer, como por exemplo na pratica de desporto.
A intensidade e frequência com que nos sentimos stressados são factores determinantes para o resultado que daí advém. Se por um lado nos desafia a superar e estimula a criatividade, quando estamos expostos por longos períodos de tempo leva-nos à exaustão e à descompensação fisiológica. Está provado que muitas horas de trabalho associadas a elevados níveis de stress aumentam a probabilidade de desenvolver problemas cardíacos. É necessário fazer um bom uso da maquina e saber relaxar e recarregar energias quando o corpo assim o pede. Mas penso que é impossível eliminar o efeito do stress da nossa rotina sem fazer um abrandamento excessivo ou entrar num modo letárgico, afinal é o desafio conduz à excelência e à mudança. A partir do momento em que nos propomos a fazer alguma coisa, estamos a desafiar a nosso engenho e capacidade de mobilizar a energia suficiente para o fazer, estamos a colocar-nos sob stress, mas se aliarmos a este estado alguma paixão por aquilo que se faz e bons tempos para descontrair o resultado provavelmente será positivo. Ao contrario do que muita gente pensa, ficar sem trabalho, sem preocupações ou metas a curto prazo (i.e. eliminar todas as fontes directas de stress) não é a melhor forma de relaxar, mas sim de entrar num vazio de motivação e apatia para com o mundo. Só somos verdadeiramente capazes de apreciar tempos livres quando andamos minimamente ocupados.  O nosso corpo foi feito para lidar com o stress, é preciso é saber tirar o melhor partido dele.

Sem comentários:

Enviar um comentário