Definitivamente não percebo a história da nostalgia. Inicialmente era considerada doença, o nome deriva do grego "nostos"-voltar e "algos"-dor, indicando o sofrimento proveniente desejo de voltar ao local de origem. As primeiras observações deste sentimento foram registadas em viajantes e militares. Mais tarde ganhou um sentido mais positivo, sendo considerada apaziguadora, acredita-se que recordar tempos passados melhora o humor, aumenta a auto-estima e fortalece ligações sociais trazendo algum sentido à vida. A BBC fez um artigo interessante sobre o assunto, no qual descreve a opinião de Mr Routledge e outros entendidos em nostalgia. Eles defendem que a nostalgia nos permite recordar experiências marcantes relembrando-nos o sentido e o propósito da vida, o nosso valor, as boas relações que desenvolvemos e momentos em que fomos felizes. Teremos tendência para ficar mais nostálgicos em situações menos favoráveis, quando nos sentimos mais desamparados, sendo que o acto de recordar tem como função contrariar os sentimentos negativos. Há varias situações que nos podem deixar nostálgicos, desde o contacto com pessoas ou objectos de outros tempos, como musicas, acontecimentos, palavras, etc. Claro que se passarmos demasiado tempo presos ao passado corremos o risco de passar ao lado das oportunidades do presente e do futuro. Também aqui se aplica a noção de equilíbrio.
Da minha experiência ainda não consegui perceber se a nostalgia tem um efeito positivo ou negativo. Nalgumas circunstâncias é apenas um pouco inquietante. Tenho alguma dificuldade em me livrar de certas coisas, gosto de guardar objectos (maioria das vezes papelada) que me recordem de acontecimentos marcantes, não que lhes faça alguma coisa, às vezes ficam só num canto até que a necessidade de arrumar e me livrar deles me faça deitá-los fora. Parece que com o tempo a relevância e intensidade das emoções diminui, logo já não faz sentido guardar eternamente o que deixou de ter utilidade. Por outro lado, guardar dá-me alguma segurança, a certeza de que mesmo que a memória me traia haverá sempre um gatilho que me faça chegar lá. Não costumo procurar deliberadamente recordações, normalmente encontro-as durante as arrumações, algumas são agradáveis, outras só me relembram a ingenuidade de outros tempos. Se calhar ainda não estou na fase em que a nostalgia faz coisas giras. Mais estranho é quando tenho que apagar emails ou mensagens, a plena consciência de que não voltarão a ser úteis ou trarão algo de volta, mas por alguma razão preferia guardar. Da minha experiência, também sei que quando apago simplesmente não me sinto menos inteira.
Perder a memória é provavelmente uma das coisas mais assustadoras para a maioria das pessoas. Ficar nostálgico é quase inevitável em algumas circunstâncias, mas não nos devemos perder demasiado nas recordações, é bom constatar que já tivemos menos preocupações e mais alegrias, que já passamos por tempos difíceis e sobrevivemos, que fique a certeza que daí a uns tempos vamos recordar esse preciso momento e recordar que foi mais um passo, às vezes é preciso deixar algumas coisas para trás para chegarmos ao que procuramos.
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