quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Nós e a morte

O que farias se soubesses que ias morrer amanha? É do conhecimento geral que todos vamos morrer, não por falta de tentativas em encontrar o elixir da vida eterna, mas por ser uma condição básica da vida e da nossa existência. Embora esta seja uma das pouca garantias que temos desde o nosso nascimento, a maioria de nós passa uma boa parte do tempo a fingir que acredita que viverá para sempre. É simplesmente desconfortável pensar que eventualmente o nosso tempo vai chegar ao fim, tendemos a pensar numa vida até aos 80/90 na melhor das hipóteses, mas todos sabemos que pode ser mais cedo ou mais tarde.

Na era da genética, há muito que se fala na analise do genoma como forma de identificar genes associados ao desenvolvimentos de determinadas doenças e ou outros marcadores preditivos da esperança de vida do individuo, como refere este artigo. Para já esta análise já é feita para um conjunto de genes específicos relacionados com algumas doenças de forma a ajudar no diagnóstico, prognóstico e tratamento de doenças como o cancro por exemplo. Mas a ideia da industria é tornar a analise do genoma suficientemente simples, rápida e barata para que todas as pessoas possam ler o seu genoma, com as implicações que uma boa ou má interpretação poderiam ter. A verdade é que actualmente, apesar de já podermos obter o genoma de forma mais ou menos simples ainda não sabemos o suficiente para o interpretar de forma clara e segura, na maioria dos casos apenas sabemos que determinados genes nos conferem alguma probabilidade de desenvolver uma dada doença. Tendo em conta a complexidade da maioria das doenças e a sua origem multifactorial no final poucas certezas nos dá. O mesmo se aplica à esperança de vida, podemos olhar para os nossos antepassados e calcular as probabilidades mas pouco mais.

A morte é algo positivo e essencial uma vez que nos confronta com a existência de um numero limitado de dias para atingir os nossos objectivos. Se vivêssemos para sempre provavelmente não teríamos tanta motivação para concretizar os nossos projectos que continuariam a ser adiados por tempo indeterminado, pois teríamos a noção de que disponhamos de todo o tempo do mundo para o fazer.

À medida que envelhecemos e somos confrontados com determinadas experiências a nossa noção de finitude vai-se alterando mas parece que só quando estamos perto do fim é que conseguimos fazer uma analise mais realista daquilo que eram os nossos objectivos e daquilo que fazemos com o tempo de que dispomos para os alcançar. Uma enfermeira dos cuidados paleativos, habituada a acompanhar os últimos dias de existência dos seus doentes registou os principais arrependimentos que estes expressavam e relata-os no livroThe top five regrets of the dying. Segundo Bronnie Ware, quando questionados sobre o que mais se arrependiam ou que que teriam feito de forma diferente caso tivessem oportunidade, há temas comuns que as pessoas invariavelmente repetiam, entre os quais:  

1. I wish I'd had the courage to live a life true to myself, not the life others expected of me.
2. I wish I hadn't worked so hard.
3. I wish I'd had the courage to express my feelings.
4. I wish I had stayed in touch with my friends.
5. I wish that I had let myself be happier. 

Não quis fazer a tradução para não correr os risco de lhes alterar o sentido, mas penso que são claros, escandalosamente simples e ao que parece sentimentos tão comuns na recta final dos nossos dias. Por outro lado, não é preciso estar em morte eminente para perceber que alguns destes arrependimentos já são actuais. 

Não sei até que ponto saber a esperança de vida com alguma precisão através de uma analise genetica me ajudaria a por os planos mais atempadamente, não sei quanto tempo resta e nem me quero preocupar muito com isso, mas gostava de poder viver plenamente o que me vai na alma. Certamente que também vou ter uma lista de arrependimentos, mas queria que não fosse com os tópicos que a senhora Ware diz serem tão frequentes.

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