sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Acreditar na inteligência

É bom descobrir que já alguém se dedicou a testar algumas das nossas teorias de algibeira. Há factores preditivos do sucesso académico das crianças, entres os quais a inteligência ou curiosidade inata e a motivação para o trabalho com vista à superação de objectivos. (Neste caso estou referir-me apenas ao QI e não a inteligencia emocional). Admitindo que há pessoas mais inteligentes e com maior aptidão para compreender e aplicar novos conceitos, acredito que a motivação pessoal e o trabalho são, em conjunto, um factor determinante para o sucesso. Ao que parece  não sou a única.

Algumas pessoas acreditam que inteligência é uma capacidade inata, ou seja ou se nasce inteligente ou se nasce burro, ou algures entre as duas e não há muito a fazer quanto a isso. Por outro lado há as pessoas que acreditam que é algo que se desenvolve através do trabalho e do empenho, ou seja, nem tudo está definido pelos genes, é possível exercitar e melhorar.

É perfeitamente normal que haja diferentes formas de pensar, o surpreendente é que a forma como nós vemos a inteligência enquanto capacidade pode influenciar os nossos resultados e consequentemente o sucesso alcançado. Ou seja, uma pessoa que acredita que a inteligência é algo pré-determinado (ou se têm ou não se têm) e acredtita que não foi muito abençoado nesse campo terá maior tendencia para o falhanço, pois acomoda-se mais facilmente face a resultados fracos e eventualmente não se empenha o suficiente em obter melhores resultados, pois acredita que é burro. O mesmo principio também funciona no sentido oposto para estimular as pessoas que acreditam que são inteligentes a esforçar-se para obter bons resultados. Por outro lado, quando se acredita que o trabalho que dedicamos a algo pode efectivamente ter um impacto no resultado, quer sejamos mais ou menos dotados de inteligência para determinado aspecto, tendemos a trabalhar mais para atingir determinados objectivos, desde que estejamos motivados para tal.

No meio desta história de influencias surgem as expectativas e os feedbacks que obtemos das pessoas que nos rodeiam. Como não poderia deixar de ser, estes factores podem ter um efeito determinante, principalmente durante a infância e adolescência, uma vez que é nesta fase que ocorre parte importante do processo de formação de personalidade. Quer queiram quer não as pessoas formam opiniões acerca de tudo o que as rodeiam e com as crianças não é excepção. Ora, será certamente mais difícil para uma criança acreditar no seu potencial e manter-se motivada quando é rotulada de pouco inteligente, de forma declarada ou não, na família e na escola. Não tenho grandes memórias dessa parte da minha infância, mas tive a sorte de observar essa fase em crianças próximas e os resultados são incríveis.

Mesmo que não se fale sobre isso, é fácil perceber quando alguém tem (ou não) boas expectativas acerca do nosso trabalho ou das nossas capacidades. Não se trata de manipulação, mas sim de acreditar e dar uma oportunidade, nunca se sabe o quanto nos podemos surpreender.

Artigos relacionados:

 Aronson, J., Fried, C., & Good, C. (2002). Reducing the Effects of Stereotype Threat on African American College Students by Shaping Theories of Intelligence Journal of Experimental Social Psychology, 38 (2), 113-125 DOI: 10.1006/jesp.2001.1491

(Blackwell, L., Trzesniewski, K., & Dweck, C. (2007). Implicit Theories of Intelligence Predict Achievement Across an Adolescent Transition: A Longitudinal Study and an Intervention Child Development, 78 (1), 246-263 DOI: 10.1111/j.1467-8624.2007.00995.x)

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