quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Histórias que se contam

As pessoas têm tendência a simplificar tudo. Esta estratégia, embora muito útil em várias situações, pode ter um efeito desastroso quando se trata de contar historias. Neste aspecto não poderia estar mais de acordo com Tyler Cowen que defende que devemos sempre suspeitar quando se fala de historias (http://www.ted.com/talks/tyler_cowen_be_suspicious_of_stories.html).

Crescemos a ouvir historias de princesas em que no final acaba sempre tudo bem e vivem felizes para sempre e ao longo da vida somos bombardeados com mais e mais histórias, torna-se um doce vicio. Chegam-nos de todo o lado, quando falamos directamente com as pessoas, pela televisão ou pelos livros e revistas. Ouvimos com atenção, tiramos as nossas lições e deixamos-nos inspirar. O ser humano é de facto algo de fantástico e muito se passa para além da nossa consciência e é aqui que entram as historias. Narrações de acontecimentos mais ou menos dramáticos que têm quase sempre um final previsível e marcante. O que nos esquecemos é que a historia só relata uma face dos acontecimentos, normalmente a melhor parte. Ficam para trás as tentativas falhadas, os fracassos, as desilusões, os pormenores menos importantes, que existem na vida real, mas não vêm nas historias.

Depois há ainda as histórias que criamos para nós mesmos, para nos manter motivados, para não desistir, aquilo que habilmente imaginamos e acreditamos que será o mais provável de acontecer. Aliás, não haverá outra forma!! É claro que este malabarismo é essencial para que se cumpram determinados objectivos e até certo ponto para mantermos a integridade mental, mas não passa de historias que inventamos para nos confortar.

O problema aparece quando nos apercebemos da escandalosa diferença entre a realidade e as histórias. Afinal não estamos preparados para um final diferente, para os pormenores, para os inesperados. A verdade é que muito raramente a realidade se assemelha às historias, em que tudo tem uma razão de ser e a justiça impera. É bom ouvir histórias, mas a realidade é bem mais complexa, há mais variáveis em jogo, há mais espaço para o imprevisto.
Por favor digam logo que vai ser duro, vamos encontrar muita gente em contra corrente, vamos ter que mudar de planos e recomeçar, vai ser preciso desistir, nada é para sempre. A ideia não é ser pessimista, muito menos dramático, é ser realista! É bom ter esperança e acreditar, mas um pré aquecimento ajuda a minorar a dor do embate.


É impossível impedir a mente de inventar histórias, testar hipóteses sem fim ou olhar os acontecimentos à luz das histórias que guardamos na memória, afinal isso ajudou a espécie humana a evoluir, mas não podemos esquecer o imprevisto e o caos em que reina o universo. Pensar no futuro sem ideias pré-concebidas, sem preconceitos nem visão em túnel. Só conseguimos ver a historia completa quando nos deixamos perder nos pormenores, nos diferentes ângulos, nas várias versões e mesmo assim pode haver alguém num mundo paralelo a viver uma história completamente diferente.

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