quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Uma questão de perspectiva

Só quando se perdem determinadas coisas é que conseguimos perceber a real dimensão ou a importância que tinham na nossa vida.

A perda de alguém no sentido mais ou menos dramático ou a doença são provavelmente os acontecimentos que mais abalam a vida das pessoas. Quase sempre  incontornáveis, a única maneira de os superar passa por um processo mais ou menos longo desde o choque e negação inicial até a aceitação. Pelo meio haverá lugar para a revolta, para tentativas de racionalização e depressão. A ordem e duração varia consoante a gravidade da situação e pessoa em causa. Por outro lado,  estes eventos negativos podem ser a oportunidade necessária para reflectir sobre o que é realmente importante e tomar algumas decisões quanto á forma como gastamos o nosso tempo livre, como nos relacionamos com as pessoas ou a paixão que colocamos naquilo que fazemos e na maneira como vivemos.

Ao longo da vida passamos por pequenos processos de luto e frustração quando as coisas não correm como previsto, quando parece que a sorte nos abandonou e tudo conspira contra nós, quer seja no amor, trabalho, dinheiro ou mesmo no que deveria ser lazer. Há vários truques para superar a dor ou a desilusão, ao que parece rir pode ser mesmo o melhor remédio. Cientificamente provado que relaxa os músculos e alivia a dor física. Nada como conseguirmos rir de nós mesmos e das circunstâncias em que estamos, não significa que não lhe damos valor, apenas que vemos dum ângulo menos dramático. O nível de exigência que colocamos sobre nós também merece ser repensado, afinal também somos humanos, não há mal nenhum em reconhecer e mostrar que estamos a sofrer. Acho que a maioria das vezes nos levamos demasiado a sério, achamos que determinado objectivo é crucial para a nossa existência e felicidade e enquanto isso perdemos uma boa parte da vida em si.  Falar ou escrever sobre o que se sente ajuda a reflectir sobre as emoções e os medos que nos assolam e é um passo para os conseguir controlar ou apaziguar. Podemos ainda mergulhar numa actividade que absorva a nossa atenção e pensamento como o exercicio fisico, a comida, droga ou alcool. Os 3 ultimos com efeitos reconfortantes menos duradouros e eventualmente algumas consequências negativas.

Mesmo assim não há nada mais desconcertante, pelo menos para mim, do que entrar num hospital ou no IPO. Os meus problemas são certamente ridículos perante o que ali se vive e no entanto pareço infinitamente mais fraca e mais frágil. Esta sensação é francamente mais intensa quando se trata de crianças. Por momentos sinto-me pequenina e percebo como o ser humano tem uma capacidade fantástica de acreditar, relativizar e viver com dignidade nas circunstâncias mais exigentes. À vezes é o estimulo que preciso para pôr os meus problemas em perspectiva e entrar numa nova fase dos meus pequenos lutos, a maioria das vezes insignificantes quando penso na comparação.

Tinha um professor de Filosofia que dizia que o que não nos mata torna-nos mais fortes, embora soe a cliché não podia estar mais de acordo. Tenho a sorte de aprender isso com os melhores.

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