Não costumo ter grandes crises existenciais, mas de vez em quando preciso de novas fontes de inspiração. Não há nada mais inspirador do que as próprias pessoas e esta semana tive o prazer de confirmar isso mesmo. Gosto particularmente daquelas que são naturalmente inspiradoras, quer pela atitude, quer pela história que partilham. É fácil ir perdendo a motivação ao longo do tempo, as coisas já não fazem tanto sentido, perdem o entusiasmo da novidade, fica mais difícil relembrar porque entrámos no barco. Conseguir manter a inspiração e motivação nem sempre é fácil, mas há dias em que parece o pequeno passo entre uma visão mais ou menos optimista do panorama.
Eu acredito, e ao que parece há algumas evidencias cientificas, que até certo ponto o estado de espírito é contagioso. Ou seja, num ambiente descontraído temos tendência a adoptar o estado de espírito dominante no grupo ou temos a capacidade de influenciar o estado dos que nos rodeiam, dependendo da situação. Tenho uma admiração especial por pessoas optimistas, com ideias e convicções, sem grandes medos de arriscar. Quem escolhe seguir a ciência como profissão não tem o caminho nada facilitado, é preciso sobreviver a uma boa dose de frustração até se conseguir alcançar algum modo de gratificação resultante do trabalho e a maioria das vezes é uma sensação momentânea, pois precede o inicio de um novo ciclo. Falo da ciência porque é algo que também me diz respeito, mas tenho a certeza que o exemplo se aplica a muitas outras áreas. Quando se expõe o resultado do trabalho que nos consumiu alguns anos, partilha-se muito mais do que conhecimentos científicos adquiridos, sente-se o entusiasmo na voz, adivinham-se algumas das dificuldades enfrentadas, revemos-nos nos receios e nas esperanças. Por fim, se for uma história de sucesso, e for contada por um bom orador, deixa-nos uma esperança renovada, deixa uma agitação interior, por momentos voltamos a sentir o bichinho que nos empurrou para ali. No fim do dia talvez não seja tanto as novas descobertas que levamos para casa, mas sim uma nova inspiração. Estou no inicio da corrida, vou ter muitas oportunidades para ficar frustrada, espero continuar a encontrar pessoas contagiantes pelo caminho.
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