sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Não me apetece pensar

"Se faço o balanço constato que não encontrei o que procurava e, porque estava acima do meu entendimento ou me faltava sensibilidade, foi escasso o proveito. Mantenho, sim, as incertezas do começo, tropeço nos mesmos obstáculos, desaponta-me, sobretudo, a impossibilidade de mudar.
Agora é tarde, mas como deveria ter feito para ser outro? Por que razão não vi o melhor caminho? Quem me algemou? Que força, vício, defeito, me obriga a este rodar de animal puxando a nora, o chão por horizonte?"                                                                                              J. Rentes de Carvalho



Hoje é um daqueles dias em que não me apetece fazer nada, muito menos pensar sobre trabalho, sobre planos ou falhanços, sobre nada. E o ser humano, incrível como é, tem capacidade de gerir e controlar muita coisa, mas deixar de pensar por alguns instantes não é propriamente tarefa fácil. Tinha várias opções para distrair a atenção e o pensamento, ver televisão ou ser expectadora de qualquer outra coisa, sair de casa  ou ler. Escolhi a ultima, e Rentes de Carvalho diz algo que de alguma forma sinto mas jamais conseguiria expressar de forma tão clara e eficaz.

Acho que hoje não me apetece pensar por cobardia, sei de cor as conclusões a que chegaria. Apetece ficar quietinha, ouvir apenas o pulsar do coração e o ar a ceder a pressão dos pulmões e finalmente adormecer. Hoje não. Talvez amanha queira fazer o balanço, ajustar os planos ou desistir de fazer planos e recomeçar.

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